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quarta-feira, julho 24, 2002
O Desemprego que o Brasil não quer ver
O Brasil está passando por uma das maiores crises de sua história, apesar de muitos não prestarem atenção para isso, deixando-se levar pela euforia do penta na Copa do Mundo e pela crise no Oriente Médio. E enquanto nós rimos de nossos “hermanos” argentinos e paraguaios que afundam, não olhamos para o nosso próprio nariz e deixamos de ver que o que acontece lá, acontece também aqui. O dólar sobe a todo o momento, o desequilíbrio comercial e da bolsa é latente, assim como o desemprego, que chega as raias do absurdo, por conta da inércia de nossos governantes neoliberalistas.
Segundo dados do Dieese, 2 milhões de pessoas estão desempregadas em São Paulo, e esse número só tende a crescer. Outro dado, levantado pela consultoria Toledo e Associados, é que 50% das pessoas acima de 16 anos não possuem emprego fixo em São Paulo. Desse total, 26% vivem de bicos, mas estão procurando emprego fixo. Outros 14% não tem nem tempo para procurar, apenas fazem os bicos. Os 10% restantes estão no montante de pessoas que vivem de pensões do INSS ou que estão inscritos em algum programa assistencial da Prefeitura.
A que se deve tamanha incompetência e desleixo de nossos governantes? Esse sistema capitalista brutal, que usa a força de trabalho em troca de um salário que não supri todas as necessidades do trabalhador, limita os lucros na mão de poucos, deixando a miséria para quem realmente produz em nosso país. É a chamada má distribuição de renda, um câncer do capitalismo liberal e selvagem do século XXI, que gera a desigualdade social, a miséria absoluta e o aumento do índice de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, que perderam o direito à questões básicas da democracia que no Brasil não existe.
Mas o que acontece para que esses altos índices de desemprego só aumentem? A falta de incentivo fiscal, de oportunidade para que as pequenas empresas possam crescer, do pequeno agricultor subsistir, fazendo com que o mesmo largue o campo para aumentar a população de desempregados e miseráveis nas grandes capitais, não dando condições mínimas de educação para os jovens brasileiros, deixando uma população de analfabetos com ínfimas chances de ingressar no concorrido mercado de trabalho, que exige dos candidatos tudo, até porque o número de funcionários dentro das empresas diminuiu, transformando os empregados em “pau para toda obra”.
Tudo isso leva ao crescimento absurdo do mercado informal, sem vínculos trabalhistas, sem segurança de renda no futuro, sem aposentadoria, apenas a força de trabalho do cidadão disponível para o capital a até a sua morte. Enquanto isso o capital que esse cidadão produziu cresce e prospera na mão de poucos empresários que não investem no país, não criam mais empregos, apenas aumentando sua riqueza e aumentando também a desigualdade.
E o pior é que a situação não se mostra favorável a alguma mudança. Entre 89 e 98, o número de desempregados com idade entre 15 e 24 passou de 1 milhão para os absurdos 3,3 milhões*. E outro dado que chega para desanimar de vez os jovens desse país é o da Câmara Americana do Comércio, que dá conta que 1,7 milhões de brasileiros chegam a idade para trabalhar todos os anos, inflacionando o mercado de trabalho a números que não há como suportar em um país subdesenvolvido como o nosso.
Portanto, sem oportunidades de emprego, com o número de novos trabalhadores aumentando, mas sem nenhuma garantia ou chance de alguma renda, e os que já procuram emprego não tendo nenhuma oportunidade, e, do outro lado, os empresários capitalistas, sem nenhum interesse em reverter essa situação, o desemprego só tende a aumentar nas grandes cidades, esvaziando os campos e deixando a condição de sobrevivência para a população das duas áreas insustentável.
Fonte: dados do Dieese, da consultoria Toledo e bem como da Câmara Americana do Comércio foram retirados do site da própria Câmara Americana do Comércio: http://www.amcham.com.br/update/update2002-05-29k_dtml .
* Jornal da Tarde do dia 14 de junho e que está disponível no site: http://www.jt.estadao.com.br/editorias/2000/06/14/eco473.html .
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