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segunda-feira, julho 22, 2002
Schumacher quebra mais um recorde e conquista 5º Título Mundial
Na manhã deste domingo o alemão Michael Schumacher quebrou mais um recorde ao vencer o Grande Prêmio da França, conquistando assim o seu pentacampeonato mundial na categoria, igualando-se ao argentino Juan Manuel Fangio que ganhou os títulos nos anos de 1951, 54, 55, 56 e 57. O recorde foi o de ganhar o título mundial mais cedo em toda a história da categoria, ele ganhou após onze corridas, faltando ainda seis para o término do campeonato. Recorde antes de Nigel Mansell que, em 1992, também venceu com onze provas, mas havia uma prova a menos, faltando-lhe portanto cinco grandes prêmios a serem realizados. Michael contou com uma “ajuda” do novato Kimi Raikkonen que liderava a prova à três voltas do fim, quando errou em uma curva, deixando livre o caminho de Schummy para a vitória.
A corrida teve seu início conturbada, com a Ferrari do piloto brasileiro Rubens Barrichello não conseguindo sair do lugar por problemas em seu carro, tanto que quando os carros saíram para a volta de apresentação, o carro do brasileiro estava em cima de um cavalete, para que os mecânicos pudessem consertar o carro há tempo, mas o equipamento foi levado para os boxes, o que acabou não adiantando e Barrichello abandonou a prova antes mesmo de largar.
Após a largada as posições não se alteraram muito, tendo apenas um bom momento de briga na liderança, quando Schumacher tentou ultrapassar a Williams de Montoya, o que acabou não aconteceu, porque o colombiano quase parou o carro na pista, fazendo inclusive com que o Raikkonen colasse nos dois líderes. Montoya manteve-se líder até a primeira parada nos pits stops, a partir da volta 24, quando Schumacher deu suas voltas mágicas e passou o colombiano no box. Porém, ao sair do abastecimento, o alemão “pisou” a linha branca da saída dos boxes, tendo que pagar um “drive trough”, que é uma passagem na área dos boxes, levando o jovem finlandês a liderança da prova. Com isso, e com a perda de rendimento no carro de Montoya, que saiu da briga, se segurando na pista pra levar o carro até o final, Schumacher vislumbrou a possibilidade de ser campeão ali mesmo. E de fato foi o que aconteceu. . Na segunda passagem pelos pits, Coulthard (Mclaren) voltou pressionando Shcumacher, só que o escocês também pisou na linha branca e foi tomar sua punição, saindo da briga e deixando menos complicado para o alemão, que não conseguia passar o jovem piloto Kimi. Porém, faltando três voltas para o final, o improvável aconteceu: Raikkonen errou sozinho em uma curva e acabou sendo ultrapassado pelo alemão que só manteve a ponta até o final e conquistou a vitória e o título com 96 pontos, não podendo ser ultrapassado por ninguém, porque os únicos que poderiam ameaçar o alemão (Barrichello 32p., e Montoya 32p.) não conseguiram terminar a prova na segunda colocação e o atual vice, Ralf Schumacher, que tem 33 pontos, só poderia chegar a 93.
Depois da corrida a Mclaren ainda reclamou que o seu piloto errou na curva pois um fiscal de pista estava agitando uma bandeira amarela, o que teria desconcentrado o finlandês. Só que a direção de prova confirmou a vitória ao alemão que se torna o maior piloto de toda a história da Fórmula Um, ao menos nos números, já que quebrou praticamente todos os recordes que existiam antes de sua época.
Felipe Massa, o outro brasileiro a competir na França, errou muito na corrida e acabou abandonando na volta 48, com problemas no carro. Ele queimou a largada e acabou tendo que pagar um drive trough nos boxes, só que quando saiu, ele acabou colocando o carro também na linha branca de segurança da saída dos boxes, tendo que pagar outra passagem pelo box.
A classificação final da prova ficou assim:
1. Michael Schumacher (ALE) (Ferrari/B)
2. Kimi Raikkonen (FIN) (McLaren/M)
3. David Coulthard (ESC) (McLaren/M)
4. Juan Pablo Montoya (COL) (Williams/M)
5. Ralf Schumacher (ALE) (Williams/M)
6. Jenson Button (ING) (Renault/M)
7. Nick Heidfeld (ALE) (Sauber/B)
8. Mark Webber (AUS) (Minardi/M)
9. Pedro De La Rosa (ESP) (Jaguar/M)
10. Alex Yoong (Minardi/M)
11. Allan Mcnish (ESC) (Toyota/M) (abandonou/motor)
12. Eddie Irvine (IRL) (Jaguar/M) (quebrou)
13. Jarno Trulli (ITA) (Renault/M) (abandonou)
14. Felipe Massa (BRA) (Sauber/B) (abandonou/semi-eixo)
15. Mika Salo (FIN) (Toyota/M) (abandonou)
16. Jacques Villeneuve (CAN) (Bar/B) (abandonou/motor)
17. Olivier Panis (FRA) (Bar/B) (quebrou)
18. Takuma Sato (JPN) (Jordan/B) (bateu)
19. Rubens Barrichello (BRA) (Ferrari/B) (não largou)
M = Michelin
B = Bridgestone
A próxima etapa será no domingo que vem, em Hockenheim, na Alemanha.
O Melhor
Michael Schumacher da Alemanha ganhou o mundial de Fórmula Um mais uma vez. Novidade? Não. Enquanto não há ninguém que possa chegar perto dele, enquanto a Ferrari dá um banho de perfeição nas outras equipes, enquanto o alemão trabalha em equipe, contrariando tudo de ruim que falam dele, dessa forma teremos um piloto imbatível e uma equipe invencível. Mas ainda há um fator importantíssimo que somente os vencedores possuem: sorte. Vamos enumerar os acontecimentos favoráveis ao alemão na França: carro de Rubens Barrichello quebrar antes de sair; perda de rendimento na Williams de Montoya; drive trough para Coulthard que estava apertando Michael após o segundo pit stop; e para fechar, o escorregão de Raikkonen, faltando apenas três voltas para o fim da prova. Reconheçamos, Michael Schumacher é o melhor piloto da atualidade e um dos melhores pilotos (se não o melhor) de todos os tempos.
À Procura de um Ídolo
Não há como assistir a um Grande Prêmio de Fórmula Um na Rede Globo, sem baixar o volume da televisão. O narrador Galvão Bueno irrita pela sua mania de gritar na transmissão e ficar reclamando e induzindo aos telespectadores de que há um complô na Ferrari para prejudicar o Rubens Barrichello, de tirar a chance dele ganhar corridas e poder acabar com a supremacia de Schumacher. Primeiro, que o Barrichello não tem a mínima condição de ser melhor que o Schummy, o brasileiro é um bom piloto, mas está, como todos os outros, a anos-luz de distância do alemão. Não há como comparar. Segundo: ele, como muitos que acompanham a Fórmula Um sabem que para colocar um carro no grid a equipe gasta muito, mas muito dinheiro, ainda mais uma equipe de ponta como a Ferrari. E não há como, não existe a possibilidade da equipe colocar um carro para quebrar e prejudicar o seu piloto, eles não vão jogar dinheiro fora e deixar o piloto deles em desvantagem perante os outros. Como já disse o ex-piloto Nélson Piquet no programa Cartão Verde da TV Cultura, essa possibilidade não existe.
Mas na imprensa brasileira, e principalmente na Rede Globo, pela pessoa do senhor Galvão Bueno, há uma doença em querer achar um substituto para Senna, em querer colocar algum brasileiro como melhor, como vencedor, em querer inventar algum ídolo para eles poderem sugá-lo, sendo que eles se esquecem que não são só os brasileiros que tem de vencer na Fórmula Um, que aparecem pilotos extraordinários de outras nacionalidades para vencerem também, como o argentino Fangio, o inglês Graham Hill, Jim Clark, Mansell, o francês Prost e tantos outros. A necessidade de ocupar o tempo do povo com ídolos-pés-de-barro é tanta que eles ficam cegos perante a imensa superioridade de Schumacher e de sua equipe, inventando que “alguém apertou o botão vermelho para desligar o carro do Barrichello”. Claro que o Galvão diz isso “não querendo acreditar”, como ele mesmo colocou na transmissão de ontem. Mas desta forma ele acaba induzindo as pessoas a crerem que realmente existe “algo estranho na Ferrari contra o Barrichello”. Lamentável.
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