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domingo, julho 21, 2002

There it Goes!!!!

Ressaca. A palavra mais correta para definir esse meu dia de hoje. Eu durmi pouco ainda, acordei e ainda estou meio zonzo, só que agora acompanhado de uma dor de cabeça chata, aquelas de ressaca mesmo, bem fininha, ao menos a boca não está mais tão seca, e o gosto terrível dissipou-se.

Não sei pra que existe a ressaca. Se beber é tão bom, porque tem de haver o dia seguinte? Pra ficar mal o dia todo e não conseguir fazer mais nada? Porque eu sou assim, quando fico desse jeito não saio de casa, o máximo que faço é o que estou fazendo agora: digitar alguma coisa. Porém, muitas vezes nem isso eu faço, assisto deitado no sofá televisão quando tem algum jogo de futebol passando pra curar essa maldita cosia ruim que está aqui. Com agravantes: uma sensação não muito boa cresce dentro de mim, me dizendo que ontem algo aconteceu, algo se quebrou, algo realmente foi pro espaço com aquelas conversas, bagunças e revelações todas que um bêbado normalmente acaba fazendo. Acho que eu perdi uma amizade nisso. Não porque eu pratiquei alguma maldade, e sim porque eu cometi o maior pecado que um amigo pode fazer em relação a uma amiga: gostar dela. Mas não como amigo somente, vocês sabem, aquela cosia a mais que muitos desejam e poucos têm verdadeiramente hoje em dia.

Mas, o que importa é que hoje é domingo, e a cada toque de telefone a sensação aumenta e o medo reabre um leque de opções, das mais assustadoras: será que eu deixei claro esse desejo ou foram as outras pessoas que falaram? E como todo mundo começou a fazer “joguinho” de aproximação, sem saber do que eu sinto? Adivinhação? Talvez. Mas o que me basta saber é se ela acreditou em tudo que “brincavam”, ou se ela encarou como gozação e deixou pra lá? Espero que a segunda opção seja a real, não porque eu estou fugindo, mas a questão não é tão simples. Ela tem já um relacionamento que não chega a ser um namoro, e aí é que entra o mais importante, até porque ela me disse, mais de uma vez, que não tem interesse em se relacionar seriamente com ninguém.

Então, o que me basta é escrever essas linhas, mandar um poema não-novo para vocês, porque eu estou sem condições para escrever legal agora, e o poema que eu escrevi ontem ficou uma porcaria, no sentido literário, ficaria mais legal se eu tocasse guitarra e fizesse um heavy metal da letra, até porque o nome da letra é “Metal da Escuridão”. "Culpa" de eu ter ouvido o Kill 'Em All ontem. Ótimo cd.

No momento em que começa a tocar “East” no meu som, uma canção maravilhosa e de tempos antigos, dos idos de 1989, quando eu estava na primeira série e nem eu, como também o mundo, não sabia que existia Smashing Pumpkins, apenas quem ouvia a rádio WZRD de Chicago conhecia naquele momento, e uns poucos que assistiram algum show deles em um tempo antes...

Bom, eu vou indo, tentar arrumar algo prá fazer, porque domingo de ressaca é um verdadeiro cemitério. O que eu escrevi acima daria uma história legal né? O jeito que escrevi achei interessante, a narrativa foi legal (foi?), eu tenho essa mania de “enfeitar” (o termo não é esse, minha mente fica vazia nesses dias pós-pinga) o texto com passagens épicas ou algo assim, de se imaginar em algum lugar, de estar de tal forma, viajando realmente (deixa eu parar que viajei muito já). Pensei nisso, quem sabe um dia...


Rodrigo Herrero Lopes

Neve

Enquanto a neve cai, eu penso
Enquanto o vento sopra, eu me perco no céu
Ao menos se eu estivesse lá, poderia viver melhor
Ao menos uma vez, eu não estaria tão longe.

Do alto desta montanha tem-se uma bela visão branca
Da neve que passeia pelos montes e pelas pessoas
Que leva alegria a alguns e resignação a outros
Como a minha vida, que não me leva à lugar algum.

Observando os parques de árvores esbranquecidas
Pessoas vivendo juntas e felizes, nesse inverno severo
Porém, o céu cinza apresenta o que vem pela frente
Nada agradável quanto àqueles dias passados e quentes.

Pensamentos serenos ecoam pela minha mente
Apesar da absoluta falta de algo a ser compartilhado
O frio tomou conta de tudo a minha volta
Congelou-se e não tenho mais acesso àquilo que me deixava vivo
Então caminho como se não pudesse mais sentir tais sentimentos.

Desço agora a montanha, em direção à minha velha casa
Para rever todos os momentos que ainda não vivi
E sonhar e sentir a falta de algo que não possuo
Sentindo apenas o frio que trás a neve que cai sobre mim
Sem a perspectiva de possuir um novo fim.


25/MAY/2002.
posted by Unknown / 7/21/2002 12:02:00 PM

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