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domingo, agosto 04, 2002

Uma madrugada divertida, mas bastante reflexiva

Olá a vocês. Querem um pouco de frio? Essa madrugada está sendo longa, divertidamente longa. Já estamos perto das 4 da manhã e eu ainda estou caçando o que fazer, para esperar a droga do download terminar para que eu possa repousar este corpo enorme em minha simples beliche.

Eu andei sumindo de novo né? Eu sei, eu sei. Estou passando por um período de preguiça crônica (como disse uma amiga) e fiquei meio sem motivação para escrever algo, até porque eu fiquei sem assunto essa semana, de tanta monotonia que preencheu minha vida esses últimos dias.

Mas agora tudo será diferente, as aulas da faculdade estão voltando e as possibilidades de terem mudanças significativas, principalmente do meu olhar em relação ao aprendizado, são muito fortes, adquiri um certo conhecimento e aprimorei meu lado crítico nessas férias, apesar de também "vagabundear" muito nesses 30 dias de recesso acadêmico. Serviu para eu enjoar de certas coisas, mas também para ver que eu posso fazer muitas outras, só preciso começar a perder esse medo que andei camuflando como cansaço, e também preciso "meter as caras" mais nas coisas e também preciso de um emprego! Preciso ter a certeza de que quero o que eu quero e não ter medo de fazer o que eu quero e gosto, só assim eu vou conseguir sair daqui. Preciso perder o medo de evoluir, de progredir...

Eu andei entrando em um chat para ver se encontrava alguma alma inteligente e disposta a conversar comigo na internet, porque todos os meus amigos internautas, ou fugiram, ou estavam fazendo algo melhor em um sábado frio, namorando, saindo, se divertindo talvez, e não como eu, ouvindo o novo cd do Oasis, me questionando se é bom o disco ou não, e me debatendo com "Stop Crying In Your Heart Out", pela sua beleza e tristezinha... Acabei encontrando uma alma viva que me fez sentir alguém nessa noite, me trouxe algum sentido, e todo aquele ambiente me fez compor algo, que não é nada positivo como eu estou agora, mas é o que eu consigo expressar, ainda mais, depois de ver tanta coisa ruim na televisão(1) de sentir e imaginar tantas coisas, eu ainda consigo ficar normal. Ou eu sou um crápula inescrupuloso, ou apenas um insensível que foi moldado, como muitos, a nem ligar mais a tanta tragédia vista na TV, ou eu ainda consigo ver algo de bom por aqui, e consigo separar o ruim do bom e prossigo com as coisas boas... mas ainda expresso as coisas ruins.

Por isso, aqui vai uma composição de alguém que vê outrem(2) se acabar porque teve seu amor perdido a um toque de telefone, para todos perceberem como as coisas são extremamente mutáveis em nossa vida. Tudo está bem, até que uma noite fria, quase madrugada, você está tranquilo na sua casa, se preparando para ver alguém que lhe deixa feliz, só que essa pessoa te liga antes(3) e diz que não quer mais você, não te ama mais a ponto de dizer isso por telefone, a enfrentar a pessoa cara a cara, e deixar apenas o barulho inerte do telefone ocupado para o abandonado, aquele que teve o coração despedaçado e que vai desencadar vários atos impensados até quase o suicídio, mas aí a noite vai acabar e tudo não vai passar de um pesadelo... será?




O Fim pela Janela

A noite silencia os últimos berros daquela janela
Os vidros quebrados e as cortinas rasgadas
As sombras agitadas denunciam mais um momento de loucura
Enquanto o telefone jogado contra a parede
Reflete o desespero de quem deixou-se ir.

Lágrimas rolam compulsivamente daquele rosto
Lamentos são ouvidos no final da rua vazia
O abandono nunca é aceito por quem foi desprezado
Mais uma madrugada que tem sua calma quebrada por um coração despedaçado.

O sangue jorra de seus pulsos cortados
A agonia liberta doses de crueldade e auto-flagelação
A hipócrita piedade de si mesmo entra no estágio da raiva
Transformando o desespero em desalento e o choro sufoca sua respiração.

Passado alguns momentos de dor e ódio
A razão volta-se àquela alma que percorreu por alguns minutos
Longos caminhos escuros e sofridos
Em tontura ainda não acredita nas palavras do último telefonema.

Depois de um banho para se limpar de todo o sangue e sujeira
Resta olhar para a bagunça do apartamento e esquecer tudo aquilo
Imaginar tudo como um pesadelo, se jogar na cama macia
E encostar a cabeça no travesseiro e esperar o dia seguinte chegar.

O sono profundo chega e é o momento para não mais pensar
Mais uma noite vai embora enquanto o coração sangra
Algo se perdeu no momento em que se ouviu o adeus
Nem a loucura bastou para suprir o vazio da madrugada
O amor se foi pela mesma janela em que ele adentrou.


03/August/2002.




(1) Falarei em breve do fato que me deixou muito triste neste sábado. É algo importante sim, sobre a Maternidade "Amparo Maternal".


(2) Ou será que esse outrem é, na verdade, a própria pessoa que pôs fim ao amor com a personagem principal da poesia(4)?


(3) Uma indignação expresso aqui: Toda a pessoa que fosse terminar com a outra um relacionamento, não deveria escolher o sábado a noite para fazer isso, muito menos no inverno. É uma das maiores sacanagens que uma pessoa pode fazer a outra. A pessoa se prepara para algo e toma um golpe que muda tudo o que ela pensava, e ainda tem que enfrentar um sábado a noite em casa(todos sabem que sábado a noite em casa é deprimente), e morrendo de frio, sentindo a ausência da pessoa que podia estar esquentando ali naquele momento com o carinho da amada(o) que a(o) deixou naquela noite. Podia ser proibido fazer isso com o ser humano.


(4) Bem que essa poesia podia ser escrita na forma de conto, ou quem sabe até uma história né? pelo menos eu achei que dava uma boa história.Eu posso escrevê-la sim, talvez, talvez um dia... já dizia o Robert Smith.






posted by Unknown / 8/04/2002 04:16:00 AM

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