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sábado, setembro 21, 2002
De Marx a Homero
Olá pessoal, nessa tarde fria e chuvosa eu mando-lhes uma letra de reflexão, ou apenas de contemplação, dá para ser lida das duas formas, façam como queiram, o desejo de vocês move-os a algum lugar. Essa letra seria, como Gessinger poderia falar, um Ritual de Passagem, um grito ou posicionamento de transformação, de vontade contrária ao que se vive e ao futuro, a uma busca utópica da esperança de vida melhor no amanhã, de melhores perspectivas ao menos, de horizontes mais azuis, ao invés de horizontes totalmente verdes e individuais. Uma expectativa no amor, como se isso fosse salvar o mundo, ou na grande utopia marxista de igualdade e revolução, ou simplesmente na esperança de sair essa noite, ou na expectativa por nenhuma expectativa, eis a grande dúvida colocada: todos têm consciência em si do que são e do que aqui fazem e para quê fazem? Para poder ter uma consciência para si do que podem fazer para vocês mesmos, em busca de vossos interesses e desejos, em busca de alguma mudança? Talvez isso aconteça um dia, e sairíamos de um mundo onde a palavra igualdade e amor tenham seu valor respeitado.
ps: Nossa, viajei, mas é assim mesmo! A vida é uma grande viagem pelo Mar Negro em busca de sua Itaca (assim que se escreve?), brigando contra Poseidon e por um único objetivo que mova a gente nessa enorme Odisséia Homerística.
A Passagem
Mais uma tarde em que os pingos insistem em cair
As árvores realçam seus variados tons verde
Os pássaros se divertem com a água vinda do céu
E dessa janela eu vejo o mundo passar.
Eu te vi aquele dia do outro lado
Observando a tudo, lamentado o futuro
Negando as possibilidades, dizendo um não no escuro
Sumindo com todas as maneiras de amar.
O céu cinza, as gotas diminuem e a tarde também passa
As pessoas respiram e o trabalho incessante
Eu caio, eu leio, eu escrevo, eu observo, eu analiso
E tudo que eu vejo não me faz feliz
Nem tampouco alegre como aqueles belos pássaros.
Faz um tempo que os prédios ficaram velhos
Acabou-se o tempo de viver a esmo, apenas o mesmo
Agora é o momento de prosseguir a passagem
De destruir sonhos e esperanças, de parar o vôo
Os galhos das árvores ficaram pesados para agüentar a minha vida.
Por toda a tarde essa chuva se esvai pelas velhas ruas
Também limpam os velhos prédios que te acenam um adeus
Os pássaros cantam a última canção, em tom de despedida
Naquele dia, eu vi você passar para o outro lado.
20/September/2002.
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