Textos, artigos, poesias, etc



quarta-feira, setembro 25, 2002

A Nova “Social Democracia” e o Futuro Sombrio do Neoliberalismo

Com um discurso cada vez mais moderado, consentindo sempre às aspirações dos empresários e se afastando como o diabo que foge da cruz, ao estigma socialista-marxista que o PT da década de 80 possuía, Lula e seus partidários procuram sempre uma forma de se aproximar da elite brasileira, como uma forma de mostrar que o passado de luta em favor aos trabalhadores e contra o status quo acabou.

Não porque o Partido dos Trabalhadores não queira mais saber de seu segundo nome. E sim porque os petistas desejam, de todas as formas, ascender seu candidato ao “maior” cargo do país. E a maneira encontrada foi a de suavizar Lula e seu programa de governo, de um modo tão intenso, que, ao meu ver, tirou toda a identidade do PT.

Claro que isso aconteceu envolto em todo um processo histórico de mudança do Partido dos Trabalhadores, uma mudança ocorrida dentro do próprio partido. E que começou expurgando os radicais de esquerda, que acabaram fundando posteriormente o PCO (Partido da Causa Operária) e PSTU (Partido Social dos Trabalhadores Unificados), e todos aqueles que não simpatizavam com a nova proposta “social-democrata” do PT. Após essa etapa de alteração do quadro de correligionários do partido da estrela, começou um processo de revisão das suas posições, após a derrota nas eleições presidenciais de 1998, com uma vitória significativa nas eleições municipais de 2000 (exemplo disso foi a vitória de Marta Suplicy em São Paulo e crescente números de prefeitos do PT no país). Esse processo começou por rever todo o conteúdo programático do partido, com uma forte reformulação e modificação das propostas base, principalmente do programa de governo para a Presidência da República, como desejava Lula que não agüentava mais perder eleições e apostaria em qualquer coisa para passar quatro anos no Planalto. Essa mudança foi tão significativa, a ponto do seguinte acontecimento, declarado pelo economista José Graziano da Silva, um dos mais antigos assessores de Lula: “O nosso projeto de combate à fome é totalmente keynesiano”. Isso é muito complicado, ainda mais vindo do único partido forte de esquerda do país, uma esquerda que não gosta mais de ser chamada assim, prefere ser designada como esquerda light.

Essas profundas modificações nas raízes do partido, tiraram toda a base socialista de seu conteúdo programático, substituindo pela palavra da moda chamada mercado. Com isso, passaram a defender o fortalecimento do capitalismo, como melhor forma de governar para o crescimento do país: vitaminando e humanizando o próprio capitalismo nacional. Só que, mesmo com todas essas mudanças, a elite econômica brasileira e mundial ainda via em Lula um perigo em potencial, via. Hoje em dia, com a aliança do PT com o empresário José de Alencar do PL (Partido Liberal) e após várias reuniões de aproximação com empresários, militares e economistas neoliberais, Lula já possui uma maior confiança dessas facções do país, começando a ser bem visto em grandes parcelas dessa sociedade, inclusive pela mídia internacional.

Quem torce para que Lula vença as eleições para que mude a direção imposta pelo atual governo pode desistir, pois Fernando Henrique, em oito anos, conseguiu instituir no país o sistema neoliberal de governo, vivendo apenas à expectativa das bolsas de valores, “vendendo” credibilidade para os investidores externos através de sorrisinhos e viagens, e mendigando ao FMI (Fundo Monetário Internacional) para poder dever mais ainda ao próprio fundo do exterior. O poço chegou tão ao fundo, que fez com que o PT virasse social-democrata para que pudesse ascender à presidência, mas sem poder nenhum de mudança do regime atual e conseqüente melhoria no Brasil. E nem Lula, como já dito, nem qualquer outro que assumir, não terá muito o que fazer, a não ser rezar a cartilha imposta no Consenso de Washington e concluir a obra iniciada pelo governo FHC que é a de falência do Estado, para que as empresas privadas tomem conta de todos os serviços. E assim a profecia de Fridman e Hayek se cumpra aqui também na América Latina. Mesmo que o discurso de Lula seja social democrata, o que não quer dizer quase nada hoje em dia, a prática deverá ser totalmente diferente. Corremos o risco ainda de ouvir de Lula, as mesmas palavras de nosso atual Presidente: esqueçam meus livros e tudo o que eu disse antes de me eleger Presidente.
posted by Unknown / 9/25/2002 10:00:00 AM

<$BlogItemCommentCount$> Comments:

<$BlogCommentAuthor$> said...

<$BlogCommentBody$>

<$BlogCommentDateTime$> <$BlogCommentDeleteIcon$>

<$BlogItemCreate$>

<< Home


Placeholder footer data here. Powered by Blogger!