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quinta-feira, setembro 05, 2002

“O Invasor” mostra a realidade de uma sociedade flagelada

A Universidade Cruzeiro do Sul organizou na noite de trinta de agosto uma palestra fechando os eventos sobre violência simbólica, com o senhor Beto Brant, diretor do filme “O Invasor” e Rogerinho “Black”, morador da favela Brasilândia e figurante desse mesmo filme. Beto Brant já dirigiu outros dois longas-metragens: “Os Matadores” e “Ação Entre Amigos”. “O Invasor” já foi premiado como o melhor filme latino-americano pelo “Festival de Sundance”, em Nova Iorque e participará como concorrente no festival de Berlim.

O filme é uma crítica a classe média, mostrando a falta de valores em nossa sociedade, a corrupção e a violência que as pessoas exercem para conseguirem seus objetivos. Por isso mesmo Beto Brant foi chamado a dar maiores esclarecimentos sobre os conceitos principais do filme e a mensagem que ele gostaria de passar com aquele trabalho.

Brant começou chamando a atenção para os estudantes que acompanhavam a palestra para nenhum deles ficarem parados esperando as coisas acontecerem, pra buscarem fazer as coisas além da universidade, não ficar somente nas apostilas, buscar formas de evolução na sua profissão, nos seus conhecimentos e aprendizado, se envolvendo realmente com o fato e com tudo que acontece em torno do os alunos fazem.

Depois disso, o Rogerinho foi ao encontro dos que lhe assistiam para um depoimento de como foram as gravações na favela onde ele mora e como foi a resposta do povo morador da Brasilândia, na zona Sul de São Paulo. Rogerinho falou solto, como se estivesse em qualquer parte de seu bairro, explicando toda a mobilização que houve na favela por causa das filmagens, ressaltando que Brant chegou ali sem seguranças ou policiais, apenas com o aparato e toda a equipe de produção para fazer as imagens do local, conforme estava no roteiro, sem que os traficantes da região falassem qualquer coisa, até porque, como disse Rogerinho: “Ninguém achou ruim filmar a favela lá porque era uma cosia boa prá gente, ia aparecer todo mundo e não só ia ficar mostrando as coisas ruins da nossa área não”.

Além disso, Rogerinho destacou que houveram muitos progressos na auto-estima das pessoas depois da passagem do “Invasor” na Brasilândia. Os moradores começaram a ver o lado bom daquela situação e despertaram neles desejos pela arte em geral, como pintura, desenho, atuar, entre outras coisas. A satisfação foi tão grande que todos da favela se auto intitulavam de “invasor” e um largo no centro da favela que era conhecido como “o largo da bocada”, por ocorrer muitos assassinatos, virou o “largo do Invasor”, justamente por ter sido filmado em uma das cenas do longa-metragem.

Depois de Rogerinho ser muito aplaudido pela sua postura e desenvoltura ao contar os acontecimentos na favela da Brasilândia, Beto Brant voltou para responder algumas perguntas e a colocar outros aspectos mais específicos do filme. O diretor disse, entre outras coisas, que o filme não mostra muita violência, pois o objetivo não era esse, e sim “mostrar as razões do agressor e do agredido”. Foi uma forma de tentar compreender porque essas situações colocadas no Invasor acontecem. Bem como esses filmes tratam sobre a realidade brasileira, não sendo escapista, portanto, até porque não tem como fugir da realidade na sociedade atual quando se fala sobre violência.

Outro aspecto importante destacado por Brant foi que eles filmaram a periferia não somente como forma de mostrar apenas o gueto, a favela, ficar só nesse contexto, e sim usar isso para criticar a elite que cresce, achando-se auto-suficiente, esquecendo-se dos problemas da favela, enquanto essa mesma elite se auto-flagela, se corrompendo e perdendo todos os valores antigamente vívidos nas pessoas.

Concluindo, o filme realmente trata tudo isso colocado na palestra e esse evento foi muito importante para mostrar a visão do que o diretor queria propor quando começou a trabalhar essa história. É um trabalho instigante e chamará a atenção de muitas pessoas para os acontecimentos atuais em nossa sociedade, mostrando a total falta de valores e respeito que o ser humano possui em relação aos outros.


ps: Caso alguém queira acompanhar meu trabalho fora do blog, eu passei a escrever para um site de uma amiga minha. Apesar do site tratar sobre cultura pop, o meu texto é sobre política, pois a responsável que é a Flávia Manzoni está pretendendo abrir os horizontes do zine. O endereço para quem quiser conferir é: http://www.apupowebmagazine.hpg.ig.com.br/index.htm . O link do meu texto é Herrero. Em breve eu estarei trazendo outra novidade de outro site que estarei escrevendo, aguardem!

Rodrigo Herrero Lopes.
posted by Unknown / 9/05/2002 12:12:00 PM

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