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quarta-feira, setembro 18, 2002

O Urânio Brasileiro, o Petróleo Iraquiano e o motivo Norte-Americano


Enquanto Bush coça as mãos para poder atacar o Iraque de Saddam Hussein e obter o controle total sobre o petróleo do Oriente Médio, a imprensa brasileira fica se alarmando com um assunto totalmente vazio, só para preencher espaço em seu tempo: a venda de urânio brasileiro para o Iraque e a suposta bomba atômica eu já estaria pronta, segundo Khidir Hamza, cientista iraquiano, desertor do chefe daquele país.

Se o Brasil vendeu clandestinamente urânio em processo inicial de enriquecimento, portanto, sem condições ainda para a fabricação da bomba atômica, mas que conseguiu de um alemão o processo de manufatura para tal finalidade, isso não compete a imprensa brasileira julgar nesse momento, especulando que o urânio do Brasil esteja sendo usado para a fabricação de uma bomba atômica, como se tivéssemos orgulho disso.

O urânio foi vendido em plena ditadura militar, apesar de sua fase de “afrouxamento”, e o que deve ser investigado é como esse processo se deu efetivamente. Como foi vendido ao Iraque, como foi transportado nas barbas de três governos (municipal, estadual e federal), sem que ninguém tivesse se dado conta desse ato ilícito, ou na verdade as pessoas sabiam e se beneficiaram dessa situação?

Mas esse papel compete à Justiça, que deve apurar, buscar saber o que realmente está por trás dessa “misteriosa” venda. Uma hipocrisia instalada entre os países “periféricos” é a premissa de que o leviano para os norte-americanos está errado para esses países também, como no caso de se vender urânio para o Iraque. Como todos podem esquecer a guerra do Irã contra o Iraque, onde o governo norte-americano financiou Saddam para vencer o Irã, para que o país não tivesse suas bases petrolíferas destruídas. O que acabou derrubando, por conseqüência, o governo iraniano que não interessava a política de intervencionismo nos países menores pelos Estados Unidos. Fato ocorrido agora com o Iraque, e Bush deseja fazer o mesmo que governos anteriores fizeram com o Irã.

O problema é que a imprensa brasileira fica questionando uma coisa acontecida há vinte anos atrás e que ninguém tem certeza se o urânio está sendo mesmo usado, fazendo um mal jornalismo(exemplo disso está no Jornal da Tarde de hoje, 18/09/2002, mas é facilmente encontrado em outros veículos de comunicação), colocando apenas um dos lados para falar sobre o assunto. O pior é a colocação de uma fonte de informação: um iraquiano desertor de Saddam, morador dos EUA, e com isso, certamente ele dirá algo contra Saddam, sem provas, até porque o mesmo cientista saiu do Iraque faz oito anos, não tem como ele saber se estão fabricando bombas atômicas ou não. É apenas alguém que pretende assustar as pessoas, colocando essas informações no ar apenas para conturbar mais a relação EUA- Iraque, fazendo surgir o conflito bélico brevemente, como é o desejo de George Bush.

E enquanto a imprensa enfatiza tal questionamento, verificando a lisura de pessoas que todos sabem que não possuem tal qualidade, por justamente terem participado do período de ditadura (só a título de exemplo, o governador de São Paulo era o senhor Paulo Maluf) no Brasil, uma guerra iminente está para acontecer. E o mais estranho é que ninguém, muito menos o governo submisso de FHC, questiona a posição norte-americana, de atacar o Iraque a todo modo, fazendo alianças com vários países do Oriente Médio para se beneficiar e não ter nenhum país contra ele nesta guerra fútil e sem propósito, onde a desculpa é guerrear para termos paz, sendo que a verdade está no desejo de controle total do petróleo que se concentra no Iraque.
posted by Unknown / 9/18/2002 10:12:00 AM

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