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segunda-feira, outubro 21, 2002

De que lado a Imprensa está?

Será que a imprensa realmente se importa com o que acontece com nosso país e nosso povo atualmente? Porque é muito fácil a pessoa falar que é contra o modelo atual de governo, que privilegia as empresas e o mercado, relegando a população à miséria. Porém, quando tem a oportunidade de fazer algo, de inserir críticas as mazelas que são feitas contra a população (um exemplo disso é a aprovação da flexibilização da CLT é uma grande derrota para os trabalhadores que poucos comentam), grande parte da mídia nada faz. A maioria da imprensa prostra-se imóvel em frente de seu editor-chefe, ou de quem que mande em qualquer veículo midiático do Brasil, baixa a cabeça e diz sim a tudo que a atrocidade conservadora manda.

Andei a pensar esses dias: se a redação inteira do jornal Folha de São Paulo é petista, porque esse pessoal todo não se propõe a lutar junto e a questionar a forma de se fazer jornal na Folha, totalmente voltado a manutenção do modus vivendi atual? Será realmente que essas pessoas tem algum compromisso com a informação e com o povo? Poderão esses jornalistas contribuírem em alguma coisa para que diminua essa ditadura da informação que fomos submetidos? Claro que há pessoas comprometidas com a massa, mas essas não estão em grandes meios de comunicação, porque não aceitam condições expúrias de total servilismo aos governos internacionais e a manutenção desse massacre pelo qual população brasileira vem sofrendo. Mas fora essas poucas pessoas que sentem a necessidade de criticar efetivamente os rumos atuais de nosso governo, poucos jornalistas tem um comprometimento real com a informação e com a verdade, omitindo-se clamorosamente em muitas situações, apenas para agradar e se manter em favorável ambiente social. Alguém poderia me questionar, dizendo que essas pessoas fazem o que fazem para sobreviverem, pois precisam do dinheiro para se manter. Concordo, algumas pessoas tem essa necessidade, mas algumas, não todas. Eu digo especificamente de jornalistas que tem nome e poder em suas palavras, que já tiveram ou dizem ter um comprometimento com os cidadãos, mas usam isso como fachada para se auto-promoverem. A mídia atual está expurgando todos os conceitos éticos de se fazer jornalismo, aceitando qualquer coisa para se auto-beneficiar.

O que dá para concluir disto é que: ou existe uma omissão dessas pessoas em contribuir com a população em mudar para melhor no país realmente existe, ou então, muitas dessas pessoas estão, na verdade, comprometidas com a classe dominante, com o governo e empresários, tudo para manter hegemonicamente o status quo. Essa situação de grande parte dos ricos concentrando cada vez mais riquezas, gerando desigualdades quase sem reverso, devido a uma inércia proposital de quem orienta os caminhos dessa nação condenada. Esse é um quadro trágico, pois quem poderíamos contar para quebrar essa corrente conservadora que seria a imprensa, está também ligada a essa barbárie manipulatória e controladora dos meios de comunicação e da vida das pessoas. Um exemplo disso é o espaço aberto em tevês de São Paulo para críticas sérias, inclusive de corrupção, mas sem provas, ao governo da Marta Suplicy, sendo que não se vê críticas aos tucanos, referente a administração insípida e inócua de Alckmin no Estado de São Paulo.
posted by Unknown / 10/21/2002 04:39:00 PM

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