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sexta-feira, novembro 29, 2002
O dia em que eu vi meu time pela primeira vez perder no Morumbi
Ah, estou cansado. Definitivamente cansado. Ontem fui ao Morumbi ver o clássico San-São e, mesmo vendo meu tricolor perder, não me decepcionei. Apesar de estar cansado de ver meu time perder na reta final. Claro que com o resultado a resposta é contrária, mas digo ao espetáculo proporcionado pela torcida, aos momentos de espera e angústia antes da partida iniciar e mesmo da volta do intervalo. Malditos Diego e Robinho que, com seu futebol muleque, sua ginga na forma de ballet, com seus dribles e passes, corrida e classe demoliram a pseudo máquina são-paulina.
Aquele gol do Luís Fabiano no início foi muita alegria para um coração tricolor. Todos na arquibancada (sim, arquibancada mesmo, pois, como diz um trecho de uma música cantada pela torcida organizada Independente: “não quero numerada, eu vou de arquibancada prá sentir mais emoção”!) diziam acreditar na classificação e os torcedores cantavam São Paulo, São Paulo, São Paulo com um fervor maior. Sim, o Morumbi virara um caldeirão, com 50 mil são-paulinos berrando e pressionando a equipe e torcida santistas.
Mas, futebol é jogado, e não “berrado”, e foi assim que o “time da Vila” partiu pra cima do tricolor. Até conseguimos segurar o peixe até o intervalo. Aí, mais 15 minutos de agonia e espera. O cigarro já não continha o nervosismo, nem mesmo a chuva vinha para lavar novamente quem já tomara banho de chuva por toda uma tarde a caminho do estádio e mesmo dentro dele. Já antes de iniciar o segundo tempo, todos os torcedores do São Paulo tiraram suas camisas e ficavam girando-as e gritando o nome do clube, em mais um momento lindo que nenhuma televisão com poltrona refrigerante e pipoca em casa vai nos dar, NUNCA. Tudo isso depois de uma linda “Ola” realizada por todos os tricolores.
Recomeça o jogo e o Santos começa a se impor mais, minando os parcos pontos fortes do São Paulo na partida. Mas nem a incompetência do técnico Oswaldo de Oliveira de modificar a situação, nem o fraco desempenho de Kaká e Ricardinho que jogaram totalmente marcados e perdidos, e nem mesmo a pífia atuação de Rafael na lateral-direita foram os fatores determinantes para a derrota tricolor. E sim o bom e jovem time dos Santos, bem armado pelo arrogante Emerson Leão, com jogadores nem um pouco irresponsáveis como diz a imprensa e sim muito disciplinados, pois marcaram e jogaram com o regulamento em mãos, sem se desesperar, partindo para o ataque na boa e com eficiência, tudo que o São Paulo não fez ontem.
O golpe de misericórdia e o início da festa praiana se deu já nos descontos, com Diego afundando o sonho tricolor de voltar a Libertadores. E se fez a profecia: mais uma vez o São Paulo não se impôs em uma partida decisiva e sofreu com seus erros e com um time maravilhoso que jogou tudo o que podia nos dois jogos e não deixou o time da capital jogar em nenhum dos dois confrontos.
Parabéns ao Santos, que tem garotos que sabem jogar e não se intimidam com pancadas e xingamentos. Fica a lição para o São Paulo e a tristeza para sua maravilhosa torcida que lotou o estádio e foi embora triste para casa, como eu, que mesmo depois disso tive que esperar horas por um ônibus, para apenas poder chegar em casa mais de duas horas depois do fim da partida. Mais um sofrimento para o torcedor tricolor, que ainda terá de agüentar gozação dos arrogantes corintianos que se acham, e são a melhor equipe do Brasil. Não apenas no papel, mas em campo também. E terão seu teste final em uma possível final com o Santos. Um jogo para entrar para a história, como o de ontem.
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