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quarta-feira, dezembro 25, 2002
Os Jovens e seus Paradoxos no Campeonato Brasileiro
Este Campeonato Brasileiro teve um resultado paradoxal. Primeiro, o que foi colocado na coluna do dia 12 de agosto aqui neste mesmo blog, acabou ocorrendo. O campeonato desse ano foi o da juventude, com muitos jovens jogadores despontando no torneio, outros se firmando, dando mais luz a essa “serra pelada” que não se esgota nunca, de nome futebol brasileiro.
O exemplo clássico está no campeão brasileiro: o Santos. Após fracassar nos anos anteriores, ao investir milhões para trazer medalhões como Rincón e Edmundo, sem conquistar nenhum título, o presidente, até por falta de verba, resolveu investir na garotada que estava despontando nas equipes de base, e acabou logrando êxito. Contratando um técnico que gosta de mandar e não trabalhar com estrelas, Leão não teve voz à altura para combatê-lo, e assim trabalhou melhor. Formou uma molecada coesa, com objetivo único, sem vaidade ou disputas internas. E mesmo com os altos e baixos normais de um time tão jovem quanto o da Vila Belmiro – em que o mais velho é o lateral-esquerdo Léo, de 27 anos –, esses profissionais conseguiram transpor todos os obstáculos e colocar o escrete praiano de volta à Libertadores.
O primeiro desses grandes obstáculos foi vencer o único time, talvez, a não seguir esse padrão nacional de apostar nos juniores: o São Paulo. O Santos não tomou conhecimento do melhor do campeonato até aquele momento, venceu as duas partidas e classificou-se para massacrar o Grêmio na semifinal. Já nas finais, o grande bicho papão de títulos dos últimos anos, o Corinthians, sofreu com o alvinegro da baixada. O Timão tomou um verdadeiro “olé” no primeiro jogo, e nem teve chance de suplantar a força santista. Já na segunda partida, o Santos mais parecia um time de veteranos. Jogaram com inteligência e calma, praticando um futebol bonito e objetivo, orquestrado por Robinho que chamou para si a responsabilidade, após Diego sair no início do jogo. Título merecido a quem uniu jovialidade, qualidade, responsabilidade, eficácia e competência, trazendo de volta a alegria para a torcida santista, que há 18 anos não via seu clube vencer um capeonato tão importante como esse.
Mas, por um outro lado, algumas equipes que fizeram essa mesma aposta, já sem a organização e responsabilidade necessária, acabaram tendo resultados pífios, derrubando inclusive, alguns times para a Segunda Divisão. Foi o caso da Portuguesa, campeã da Taça São Paulo de Futebol Juniores deste ano, que promoveu o técnico vencedor, Edu Marangon, junto com todos os novatos, na esperança dessa molecada fazer um bom papel. A conseqüência dessa falta de visão e profissionalismo foi o descenso do time da Lusa, que vai demorar a voltar para a Primeira Divisão, a não ser que se vire a mesa mais uma vez..
O Palmeiras fez algo parecido. Entretanto esse caso foi por conta da incompetência e omissão de seu presidente, Mustafá Contursi, que, após perder Vanderley Luxemburgo para o Cruzeiro, contratou Flávio Murtosa, um técnico sem experiência e que viveu sempre à sombra de Felipão. Ainda permitiu que a discussão entre jogadores vazasse na imprensa, mostrando todo o descontrole, desunião e desorganização que reinava dentro do clube. Resultado: mais um “grande” rebaixado. Fato um pouco diferente foi o do Botafogo, que já há 5 anos “bate na trave” da Segunda Divisão, se salvando até com viradas de mesa. Mas dessa vez, ao que tudo indica, finalmente a “Estrela Solitária” está no lugar que merece. E assim foi com o Flamengo, Vasco, Internacional, e tantos outros, que só apostaram nos jovens valores por falta de dinheiro, sem nenhum planejamento, colocando essas potências tradicionais na bancarrota do futebol nacional.
Como dito na coluna do dia 12 de agosto, é preciso apostar nas categorias de base. Necessita-se investir bastante para colher jogadores como o Diego e Robinho do Santos, Gil do Corinthians, Kaká do São Paulo, o goleiro Diego do Juventude, Paulinho do galo mineiro, Léo Lima do Vasco, Liédson do Flamengo, Paulo Roberto do Fluminense e tantos outros valores que fazem o grande espetáculos nos gramados brasileiros. Mas há que se ter responsabilidade e profissionalismo, ao mesmo tempo coragem e boa dose de sorte, para que os times prossigam na vitrine do futebol mundial, sem gastar muito dinheiro, sempre revelando as promessas do inesgotável celeiro de craques chamado Brasil.
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