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segunda-feira, janeiro 27, 2003
Não é o Melhor Elenco do Brasil
São Paulo dá mostras em sua estréia no Paulistão-2003 que não possui o melhor elenco do país, como muitos dizem
São Paulo teve fraça atuação e caiu em Jundiaí
Ficou claro na primeira partida do São Paulo nesse Campeonato Paulista que o discurso de parte da imprensa e da diretoria do clube, dizendo que a equipe possui o melhor elenco do Brasil é uma grande falácia. Uma verdadeira propaganda enganosa por parte de uma diretoria de investiu na empolgação da eleição, sem medir esforços e dinheiro na feitura de um supertime, que acabou não vingando. E que ficou pior após declarar que com as contratações dos laterais Fabiano e Leonardo, o técnico só precisaria saber pôr as peças corretamente. Isso deixa claro uma cobrança desnecessária e cega ao técnico Oswaldo Oliveira.
O que vimos na derrota de domingo passado por 2 à 1 para o Paulista, em Jundiaí, foi um time sem reposição de jogadores. Lino na lateral-esquerda é piada de mal gosto ao bom futebol. No meio-campo Adriano tem atuações que não condizem com o salários que recebe, na inerte condição de eterno reserva tricolor. No ataque, a não ser Luís Fabiano e Reinaldo, o time não tem nenhum atleta no banco que substitua a altura. Dill, que foi cedido de graça, mas que custa um alto salário para o clube, é muito limitado e após um ano de contusões e pífias atuações, não deu certo. Kléber, garoto retirado das categorias de base, é muito imaturo para disputar um torneio da envergadura do Paulistão. É preciso ser lançado aos poucos para adquirir confiança e experiência. Porém, na falta de peças o técnico Oswaldo foi obrigado a colocar esse jogador que nada produziu na contenda do domingo. E por falar em ataque, Reinaldo deverá ir embora no meio do ano, já que o empréstimo se encerra em junho e seu passe pertence ao Paris Saint- German. Com isso o São Paulo contará apenas com um atacante de nível, sem as opções que possuía no ano passado que, mesmo sem boas atuações, tinha-se da onde cobrar qualidade.
Alguém poderá considerar, corretamente, que Kaká, Júlio Santos e Júlio Batista estavam na seleção olímpica. Só que na condição de equipe “imbatível” que tantos cantam e prosam pela imprensa e na presidência do clube, sem Kaká o São Paulo perde no mínimo 50% por cento de sua condição ofensiva. É como se fosse um orfão sem tios, um cão sem dono: Ricardinho e cia. perdidos em campo à espera de algum instante de lucidez em Luís Fabiano para produzirem algo. Aliás, a grande e custosa contratação que foi o Ricardinho não mostrou até agora a que veio, com um futebol apático e burocrático, com toques de lado, sem a criatividade e determinação que caracterizaram como o grande jogador do time do Corinthians no passado.
Acontece que o São Paulo gastou horrores no ano passado. No entanto, a eliminação prematura no Brasileiro de 2002 gerou um corte na esperada arrecadação que imaginava-se ter com a equipe chegando a final. Isso tudo obrigou os dirigentes a efetuar “reparos” nos gastos, enxugando muito a folha de pagamento. Liberou Wilson, Reginaldo, Rafael e muitos outros, corretamente, admita-se. Porém, liberou ainda Leandro – que, se não atuou bem no São Paulo, tem mais condição do que o Dill mostrou até agora, por exemplo –, tentou se desfazer de Régis que mal jogou na equipe titular, quase despachou Roger, tudo com o lema de conter custos. Não contratou um volante que se faz necessário para substituir Maldonado, que faz falta quando não está em campo (só lembrar os dois jogos decisivos contra o Santos em 2002). Está com o Alexandre, seis quilos mais gordo e sem nenhuma condição de jogo. Sem meias para substituir Kaká, com apenas três zagueiros no elenco, já que Amelli está sendo negociado com o River Plate, e sem nenhum bom avante na reserva, o São Paulo torna-se uma equipe capenga, de apenas 11 jogadores.
O problema é que o ano de 2003 está repleto de atividades, como o dificílimo e duro Campeonato Brasileiro, que será disputado em oito meses e por pontos corridos, além das convocações para as seleções principal e olímpica. E em um elenco falho em posições vitais como é este plantel do São Paulo, complicará muito as pretensões da diretoria, que é o tão sonhado retorno a Libertadores, após dez anos de ausência. Marcelo Portugal Gôuvea e Carlos Augusto Barros e Silva apostam ardorosamente em Oswaldo Oliveira como técnico, em oposição a Márcio Aranha, vice-presidente do São Paulo, e a todo o Conselho Deliberativo do clube. Isso ocasiona uma crise interna muito grande, com questionamentos e críticas de ambos os lados, ampliando barreiras na concretização dos objetivos almejados pelo São Paulo. A falta de critério nas contratações, a ausência de zê-lo com os assunto internos e a ânsia de conquistas atrapalham o tricolor na sua incessante busca de títulos.
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