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domingo, março 30, 2003

Só os EUA Crêem Neles

Resistência local surpreende os “ingênuos” combatentes da coalizão, que acreditam na guerra como a salvação do povo iraquiano


Perdidos em combate

Na sexta-feira passada saiu uma declaração na Folha de São Paulo atribuída ao sargento norte-americano Jamie Villafane, 31, que, segundo matéria na Folha, fora atacado por um grupo de militares iraquianos vestidos de civis, em uma ponte perto da cidade de Nassiriah, deixando ele e mais alguns soldados feridos, obrigando-os a volta aos EUA.

O sargento dizia-se assustado e confuso do porquê de haver tanta resistência dos iraquianos em se renderem. “Não consigo entender tamanha resistência. Quer dizer, estávamos lá para ajudá-los a se livrarem do regime [do ditador Saddam Hussein]”, disse Villafane. Além disso, outro sargento, Charles Horgan, 21, reconheceu a falha norte-americana para com esses ataques-surpresa: “Estávamos mais preparados para o que ocorreu na Guerra do Golfo, quando eles se entregavam”.

Cabe aqui uma análise desse tipo de declaração. Os combatentes estadunidenses falam sério em acreditar que os iraquianos vêem essa invasão sanguinária como uma salvação para si? Ou a mentira e a censura descaradas do presidente Bush (esse também é um ditador) ocultaram dos norte-americanos todas as reais pretensões da coalizão? Pois nós vemos 70 % do povo dos EUA apoiando o massacre no Oriente Médio, ao mesmo tempo que a CNN e outras emissoras de tevê são proibidas de mostrar imagens mais fortes dos confrontos nas areias em volta de Bagdá.

Com esse discurso falacioso de serem os "salvadores do mundo", Bush e seus aliados não são coerentes quando jogam bombas em mercados. O real motivo não é apenas o petróleo, há milhares de conseqüências que a quase certa vitória da coalizão busca a cada palácio, prédio ou casa destruída. Já vimos em outros massacres proporcionados por Washington, como no Chile de Allende na década de 70, ou na Nicarágua dos Sandinistas nos anos 80, que o real interesse norte-americano é o poder, o controle quase colonial das nações, principalmente das que se opõem a seu regime canibal-capitalista.

Para libertar um povo não é necessário matar milhares de pessoas, tão pouco destruir suas cidades, sua riqueza e sua cultura. Saddam não é bom moço (e esse é uma perigosa distorção da guerra, transparecer que o governantes do Iraque é correto em suas ações com seu povo), mas não pode ser destituído do poder por outro país totalmente fora de seu contexto, ditando o que deve ser feito como se fosse o dono de suas terras. E é exatamente isso que o governo Bush, através de seus soldados, anda fazendo nas batalhas no Iraque.

Tanto alguns militares como grande parte da população norte-americana estão sendo enganados, achando que a guerra está maravilhosa, os EUA ganhando e sem matar muitos civis, em busca da libertação desse povo tão sofrido. Mas eles não sabem que, até o embargo econômico pós Guerra do Golfo (1991), o Iraque possuía uma qualidade de vida superior a muitos países do Oriente Médio. Esse neocolonialismo fora de hora só vem a agravar a crise no mundo (é só notar como a ONU entrou em frangalhos após a coalizão desrespeitar suas “recomendações”) e a confirmar o poder unilateral e totalitário dos Estados Unidos da América. Há tantos séculos eles sempre lutaram para expandir seu império, como Júlio César em Roma, mas se vêem hoje em uma emboscada preparada pelo povo que “não quer ser libertado de Saddam”, surpreendendo seus próprios soldados.
posted by Unknown / 3/30/2003 12:31:00 PM

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