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segunda-feira, março 03, 2003
Vanilla Sky
Nesse momento estou em teus braços
Navegando pelo teu corpo vívido e alegre
Mas no segundo seguinte eu estou caído na calçada
Sujo e morto, desfigurado e irreconhecível
Mudei tanto que nem você se lembrou de mim.
Quando te conheci, seu atrevimento e doçura me instigaram
Sua ingenuidade me compungiu e me hipnotizou
Porém eu parti em um carro, para a morte repentina
Para o esquecimento de tudo o que houve naquela noite.
Eu voltei mais diferente do que eu mesmo imaginaria
Ninguém me aceitou, nem você, a quem eu muito estimo
Fiquei ausente de tua boca e de teus olhos firmes e decididos
Tudo desmoronou, como meu rosto e minha confusa vida.
A cada corte temporal eu me perdia em insatisfação
Beirava a loucura, principalmente após cair na calçada
E ver que no que me transformara me fazia distante de você
Longe de tudo que eu descobrira com seu amor
Principalmente que eu estava amando você.
Essa insanidade febril me fez levar-te á morte
Joguei tudo pela janela, inclusive meu futuro
A prisão, os inimigos, a desilusão e a traição
Até descobrir que tudo não passou de um sonho, que tornara-se um pesadelo.
Mas saber isso não foi um fato aliviador
Senti que abrira mão do futuro, das perspectivas, das chances
Em troca de uma vida de sonhos, que nunca iriam ser definitivos
Abri mão da possibilidade de mudar tudo a cada minuto.
As dores, o desânimo e a solidão me fizeram desistir de tudo
Você sumiu e eu abri mão de você por um egoísmo meu
Talvez se você não tivesse fugido, e tua piedade tivesse surgido
Meu corpo não estaria morbidamente congelado agora.
Fazem centenas de anos e só agora eu descobri meu instante de irrealidade
Você nunca se recuperou e se foi como a areia que escorre pela ampulheta
O tempo engoliu todas as possibilidades, levou tudo para seu destino natural
Mas já que isso eu não posso mudar, decidi trilhar um novo caminho.
Chegou a hora de acordar desta prisão e partir para um novo mundo
Sozinho, sem teu sorriso, teus cabelos e tua compreensão
Isso me deixa triste, disperso, mas esperançoso para recomeçar
Então salto desse prédio em direção ao chão, ao nada, apenas com minha segunda chance.
Autor: Rodrigo Herrero Lopes. in: 03/March/2003
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