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sábado, junho 19, 2004

A Retomada Antropofágica da Tropicália

Comandados por Caetano Veloso e Gilberto Gil, movimento tropicalista revolucionou a forma de encarar e pensar arte e cultura no Brasil, em plena ditadura militar

A Tropicália surgiu da necessidade de alguns músicos e artistas a saírem um pouco da mesmice que assolava a música brasileira, mesmo que não sendo musicalmente falando, porque a Bossa Nova era um movimento bastante interessante, mas Caetano e seus “parceiros” queriam mais liberdade em criar, e também de criticar, porém, em uma visão mais estética, analisando esses fatores e a implicação deles na sociedade da década de 60, muito atribulada por conta da Ditadura Militar.

Porém, mesmo encontrando muito sucesso nas camadas populares, bem como em muitos críticos, o tropicalismo teve muita resistência dos movimentos estudantis que analisavam aquilo como uma afronta, como algo vindo dos Estados Unidos para impor a dominação aos brasileiros, e atacavam os tropicalistas de todas as formas. Quem não gostava dessa liberdade de expressão “exacerbada” eram os militares, que vigiavam muito de perto esses artistas.

A Tropicália retomou o que os modernistas começaram a fazer e que ninguém, nunca havia tido coragem de tentar: usar de elementos dos mais variados, dos arranjos mais diferentes, desde o clássico ao baião, utilizando também elementos pop, usando nas letras, diferentes colagens visuais e discussões estéticas, além de pensamentos revolucionários, ressaltando o lado cafona brasileiro, tudo aquilo que as pessoas viviam tentando esquecer, deixar de lado, fazendo com que muitos não entendessem a proposta revolucionária e importante,muitos anos à frente, que os tropicalistas faziam. O que eles fizeram foi realmente mexer na ferida da sociedade daquela época, discutindo todos aqueles assuntos e, até por isso, sofrendo sérias represálias dos militares, culminando,não apenas por isso, com o fim do movimento mais importante das últimas décadas.

Uma Breve História da Tropicália

Caetano Veloso, cantor, compositor e um dos principais ícones do movimento, definira a Tropicália como o avesso da Bossa Nova. Assim, é o “movimento que, ao longo de 1968, revolucionou o status quo da música popular brasileira”(CALADO, C. 2002). Além de Caetano, quem também participou ativamente do movimento tropicalista foram os compositores Gilberto Gil e Tom Zé, os letristas Torquato Neto e Capinam, o maestro e arranjador Rogério Duprat, o trio Mutantes e as cantoras Gal Costa e Nara Leão. Diferentemente da Bossa Nova, que introduziu uma forma original de compor e interpretar, a Tropicália não pretendia sintetizar um estilo musical, mas sim instaurar uma nova atitude: sua intervenção na cena cultural do país foi, antes de tudo, crítica.

Segundo Calado, a intenção dos tropicalistas não era superar a Bossa Nova, da qual Caetano, Gil, Tom Zé e Gal foram discípulos assumidos, especialmente do canto suave e da inovadora batida de violão de João Gilberto, conterrâneo dos quatro. No início de 1967, esses artistas sentiam-se sufocados pelo elitismo e pelos preconceitos nacionalistas que dominavam a MPB. Depois de várias discussões, concluíram que para refrescar a cena musical do país, a saída seria aproximar de novo a música brasileira dos jovens, que se mostravam cada vez mais interessados no pop e no rock dos Beatles, ou mesmo no iê-iê-iê que Roberto Carlos e outros ídolos “brazucas” exibiam no programa de TV da Jovem Guarda. Argumentando que a música brasileira precisava se tornar mais "universal", Gil e Caetano tentaram conquistar adesões de outros compositores de sua geração, como Dorival Caymmi, Edu Lobo, Chico Buarque de Hollanda, Paulinho da Viola e Sérgio Ricardo. Porém, a reação desses músicos mostrou que, se aderissem mesmo à música pop, tentando romper a hegemonia das canções de protesto e da MPB politizada da época, os futuros tropicalistas teriam que seguir sozinhos.

As Primeiras Canções e suas Repercussões

Consideradas como marcos oficiais do novo movimento, as canções “Alegria, Alegria” (Caetano Veloso) e “Domingo no Parque” (Gilberto Gil) chegaram ao público já provocando muita polêmica, por meio do III Festival da Música Popular Brasileira da TV Record, em outubro de 1967. As guitarras elétricas da banda argentina Beat Boys, que acompanhou Caetano e a atitude roqueira dos Mutantes, que dividiu o palco com Gil, foram recebidas com vaias e insultos pela “linha dura” do movimento estudantil. Para aqueles universitários, a guitarra elétrica e o rock eram símbolos do imperialismo norte-americano e, portanto, deviam ser expulsos do universo da música popular brasileira. No entanto, não só o júri do festival, mas grande do público aprovou a nova tendência. A canção de Gil saiu como vice-campeã do festival, que foi vencido por “Ponteio” (Edu Lobo e Capinam). E, embora tenha terminado como quarta colocada, “Alegria, Alegria” tornou-se um sucesso instantâneo nas rádios do país, levando o compacto simples com a gravação de Caetano a ultrapassar a marca de 100 mil cópias vendidas.

A repercussão do festival estimulou a gravadora Philips a acelerar a produção de LPs individuais de Caetano e Gil, que vieram a ser seus primeiros álbuns tropicalistas. Se Gil já contava nos arranjos com a bagagem musical contemporânea do maestro Rogério Duprat, para o disco de Caetano foram arregimentados outros três maestros ligados à música de vanguarda: Júlio Medaglia, Damiano Cozzela e Sandino Hohagen. Coube a Medaglia o arranjo da faixa que Caetano compusera como uma espécie de canção-manifesto no novo movimento.

Influenciado pelo delirante Terra em Transe, filme de Glauber Rocha, assim como pela peça O Rei da Vela, do modernista Oswald de Andrade, na montagem agressiva do Teatro Oficina, Caetano sintetizou na canção “Tropicália”, conversas e discussões estéticas que vinha tendo com Gil, com seu empresário Guilherme Araújo, com a cantora (e sua irmã) Maria Bethânia, com o poeta Torquato Neto e o artista gráfico Rogério Duarte. O resultado foi uma espécie de colagem poética, que traçava uma alegoria do Brasil através de seus contrastes. Quem sugeriu o título “Tropicália” para essa canção foi o fotógrafo (mais tarde produtor de cinema) Luís Carlos Barreto, que ao ouvi-la, no final de 1967, lembrou da obra homônima que o artista plástico Hélio Oiticica expusera no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, alguns meses antes.

Segundo Calado, o movimento só passou a ser chamado de tropicalista a partir de 5 de fevereiro de 1968, dia em que Nelson Motta publicou no jornal Última Hora um artigo intitulado "A Cruzada Tropicalista". Nele, o repórter anunciava que um grupo de músicos, cineastas e intelectuais brasileiros fundara um movimento cultural com a ambição de alcance internacional. O efeito foi imediato: Caetano, Gil e os Mutantes passaram a participar com freqüência de programas de TV, especialmente do comandado por Abelardo “Chacrinha” Barbosa, o irreverente apresentador que virou uma espécie “ícone alegórico” do movimento.

Panis et Circenses

Em maio de 1968, o estado-maior tropicalista gravou em São Paulo Tropicália ou Panis et Circenses, álbum coletivo com caráter de manifesto. Caetano coordenou o projeto e selecionou o repertório, que destacou canções inéditas de sua autoria, ao lado de outras de Gil, Torquato Neto, Capinam e Tom Zé. Completavam o elenco os Mutantes, Gal Costa e Nara Leão, além do maestro Rogério Duprat, autor dos arranjos.

O disco foi lançado em agosto do mesmo ano em debochadas festas promovidas em gafieiras de São Paulo e Rio de Janeiro. Canções como “Misesere Nobis” (Gil e Capinam), “Dindonéia” (Caetano e Gil), “Parque Industrial” (Tom Zé) e “Geléia Geral” (Gil e Torquato) compunham o retrato alegórico de um país ao mesmo tempo moderno e retrógrado.

Ritmos como o bolero e o baião ao lado da melodramática canção “Coração Materno” (Vicente Celestino), recriada por Caetano no disco, indicavam o procedimento tropicalista de enfatizar a “cafonice, o aspecto kitsch da cultura brasileira” (CALADO, C. 2002). Afinados com a contracultura da geração hippie, os tropicalistas também questionaram os padrões tradicionais da chamada “boa aparência”, trocando-a por cabelos compridos e roupas extravagantes.

"O tropicalismo teve por base a tentativa de revelar as contradições próprias da realidade brasileira mostrando o moderno e o arcaico, o nacional e o estrangeiro, o urbano e o rural, o progresso e o atraso, em suma, o movimento não chegou a produzir uma síntese destes elementos, mas buscou traduzir a complexidade fragmentada da nossa cultura" (BONDAN, M. P. 2000).

Buscando “mastigar” e “triturar” tudo, o movimento liderado por Gil e Caetano, busca incorporar à MPB elementos da música pop (como o uso de guitarras), sem esquecer aqueles nomes que prestavam um importante papel no movimento evolutivo de nossa música. “Liberdade” é a palavra fundamental do movimento.

Ascensão, Reação e Queda do Movimento Tropicalista

Com tantas provocações ao status quo, as reações à Tropicália tornaram-se cada vez mais contundentes. Num debate organizado pelos estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, em junho de 1968, Caetano, Gil, Torquato Neto, e os poetas concretos Augusto de Campos e Décio Pignatari, que manifestavam simpatia pelo movimento, foram hostilizados com vaias, bombinhas e bananas pela “linha dura” universitária. O confronto foi mais violento ainda durante o III Festival Internacional da Canção, no Teatro da Universidade Católica de São Paulo, em setembro. Ao defender com os Mutantes a canção “É Proibido Proibir”, que compôs a partir de um slogan do movimento estudantil francês, Caetano foi agredido com ovos e tomates pela platéia. O compositor reagiu com um discurso, que se transformou em um histórico happening: "Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder?", desafiou o bravo baiano.

Calado (2002) conta que, ainda em outubro, os tropicalistas conseguiram um programa semanal na TV Tupi. Com roteiro de Caetano e Gil, “Divino, Maravilhoso” contava com todos os membros do grupo, além de convidados como Jorge Ben, Paulinho da Viola e Jards Macalé. Os programas eram concebidos como happenings, repletos de cenas provocativas. A influência do movimento também ficou evidente em dezenas de canções concorrentes no IV Festival de Música Popular Brasileira, que a TV Record começou a exibir em novembro. A decisão do júri refletia o grande impacto da Tropicália somente um ano após o lançamento de suas primeiras obras: “São, São Paulo”, de Tom Zé, foi a canção vencedora; “Divino, Maravilhoso”, de Caetano e Gil, ficou em terceiro lugar; “2001”, de Tom Zé e Rita Lee, foi a quarta colocada.

Nessa época, com o endurecimento do regime militar no país, as interferências do Departamento de Censura Federal já haviam se tornado costumeiras; canções tinham versos cortados, ou eram mesmo vetadas integralmente. A decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro de 1968, oficializou de vez a repressão política a ativistas e intelectuais. As detenções de Caetano e Gil, em 27 de dezembro, precipitaram o “enterro da Tropicália, embora sua morte simbólica já tivesse sido anunciada, nos eventos do grupo” (CALADO, C. 2002).

Para concluir, apesar de ter se revelado tão explosiva quanto breve, com pouco mais de um ano de vida oficial, a Tropicália seguiu influenciando grande parte da música popular produzida no país pelas gerações seguintes. Até mesmo em trabalhos posteriores de medalhões da MPB mais tradicional, como Chico Buarque e Elis Regina, pode-se encontrar efeitos do "som universal" tropicalista. Descendentes diretos ou indiretos do movimento continuaram surgindo em décadas posteriores, como o cantor Ney Matogrosso e a vanguarda paulistana do final dos anos 70, que incluía Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e o Grupo Rumo. Ou, já nos anos 90, o compositor pernambucano Chico Science, um dos líderes do movimento Manguebeat, que misturou pop, eletrônico, hip-hop, hardcore, com ritmos folclóricos locais, como a embolada. Ou ainda um grupo de compositores e intérpretes do Rio de Janeiro, como Pedro Luís, Mathilda Kóvak, Suely Mesquita e Arícia Mess, que lançaram em 1993 um projeto com pose de movimento intitulado Retropicália.

Mas o que foi o Tropicalismo? - Uma Discussão Estética

O tropicalismo, como vimos, é um movimento cultural iniciado na década de 60, que atingiu, posteriormente, outros setores artísticos. Nascido sob a impressão da antropofagia oswaldiana, teve em Torquato Neto um dos seus mais atuantes e radicais integrantes:

"A Tropicália, no sentido da música, foi uma radicalização tão grande quanto a poesia concreta também foi no sentido da poesia. Quer dizer, a gente mexeu exatamente com a forma da música brasileira. E eu acredito sinceramente que isso é a coisa importante em qualquer processo cultural. Ou você mexe com a forma ou não mexe com nada" (NETO, T., apud KRUEL, K., 2001).

Caetano Veloso já definiu o tropicalismo como um neo-antropofagismo. Antropofagismo é mais um ciclo dentro do segundo momento modernista iniciado em 1928 por um grupo de intelectuais paulistas capitaneados por Oswald de Andrade. O movimento, visava a captar “debaixo de um Brasil de fisionomia externa uma outra nação de enlaces profundos, ainda incógnita” (BOPP, R., apud KRUEL, K., 2001). Esta subcorrente do modernismo deveria descer às fontes genuínas, ainda puras, para captar germes de renovação e deveria ainda retomar este Brasil subjacente, de alma embrionária, congregados de assombros, e procurar alcançar uma síntese cultural própria, com maior densidade de consciência nacional.

A “Tropicália”

Uma das fontes inspiradoras do movimento foi a exposição Tropicália que o artista plástico Hélio Oiticica realizou em abril de 1967 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, tendo como objetivo principal,

"contribuir fortemente para essa objetivação de uma imagem brasileira total, para a derrubada do mito universalista da cultura brasileira, toda calcada na Europa e na América do Norte, num arianismo inadmissível aqui: na verdade, quis eu com a Tropicália criar o mito da miscigenação - somos negros, índios, brancos, tudo ao mesmo tempo - nossa cultura nada tema a ver com a européia, apesar de estar hoje a ela submetida: só o negro e o índio não capitularam a ela. Quem não tiver consciência disto que caia fora" (OITICICA, H., apud KRUEL, K., 2001).

A estética tropicalista trata, com muito humor e ironia, as disparidades sociais advindas do desenvolvimento desigual do capitalismo. Na construção poética novo/velho (música pop e Carmen Miranda), rústico/moderno (azeite-de-dendê e Formiplac), Iracema/Ipanema, bossa/palhoça, reside ainda a contraposição de valores que se revestem, aos olhos do espectador, de outros significantes, ampliando o alcance da ação critica. Mas é também no contraste entre o arcaico e o moderno que encontramos a metáfora substituindo e aludindo à relação de dependência entre desenvolvimento e subdesenvolvimento.

Segundo Kruel (2001), se o movimento tropicalista, que, a todo momento, trabalhou com o binômio estética/política objetivava mostrar as contradições do nosso país e a relação de dependência, realmente conseguiu. Veja, por exemplo, em Tropicália, a imagem “cinematográfica” (um dos elementos estéticos da Tropicália) que Caetano cria: depois de destacar a grandiosidade da arquitetura urbana, símbolo da frase desenvolvimentista do governo Kubitschek (“monumento do Planalto Central do País”), o autor, numa frase lapidar, nos dá a exata idéia das contradições e do nosso subdesenvolvimento ao anunciar que “no joelho uma criança sorridente, feia e morta estende a mão.”

Na verdade, esta “contraposição de elementos da cultura brasileira” (KRUEL, K. 2001) aproxima-se muito daquilo que Oswald de Andrade já havia feito no Manifesto Pau-Brasil. Até aí, nada a contestar. A própria liderança do movimento tropicalista teve esta intenção e reconheceu que ele era a retomada oswaldiana, recriado e atualizado na linguagem do meio urbano-industrial. A televisão, a fórmica, a arquitetura arrojada de Brasília, o avião, a modernidade de Ipanema, a bossa nova, o plástico, a guitarra elétrica, a música pop, o azeite-de-dendê, Iracema, Carmen Miranda, a dança do bumba-meu-boi, a palhoça e o namorinho de portão, não poderiam mesmo deixar de ser mencionados e contrapostos.

Certa ocasião, em entrevista ao Jornal do Brasil, Caetano reconheceu que o
tropicalismo é uma tentativa de superar, o nosso subdesenvolvimento, partindo exatamente do elemento cafona de nossa cultura, difundindo e fundindo ao que houvesse de mais avançado industrialmente, como as guitarras e a roupa de plástico.

Assim, a estética tropicalista, em música popular, não se reduz a performances do corpo e das indumentárias. Não é apenas chanchada, deboche, colagens. É mais que isto: é tudo isto associado a um projeto cerebralmente elaborado de intervenção no cenário brasileiro, ainda majoritariamente voltado para o agrário, para o romântico, para o tropical-turístico “para inglês ver”. Para quê? Para inserir o país, artisticamente, num contexto urbano-industrial de novos signos e novas linguagens.

"Não é à toa que as canções emblemáticas do movimento, como “Alegria Alegria”, “Domingo no Parque”, “Tropicália” e “Geléia Geral” têm letras e melodias que jogam com colagens de fragmentos musicais e verbais explorando inter-relações numa malha de referências caleidoscópicas" (KRUEL, K., idem).

Resultado: belas e gostosas canções que, ainda por cima, se revelam muito melhores quando analisadas, por exemplo, com a sofisticação das teorias cinematográficas (eisensteiniana, godardiana, etc). Ou às luzes e cores do auxílio luxuoso das abordagens semióticas.

Pois, para se chegar até as possibilidades destas análises, muito sangue rolou nas sessões de tortura promovidas nos subsolos do regime militar. O ano de 1968 exigia uma atuação política direta e incisiva contra a ditadura. Na MPB o novo momento histórico dividiu militantes que confundiam política com estética - ainda que uma e outra estejam intimamente ligadas, são distintas e nunca interdependentes. Muita confusão rolou entre grupos que opunham ingenuamente o violão à guitarra. O cantor Geraldo Vandré logo se estrilou com Caetano. É compreensível: duas visões de Brasil se defrontavam nos palcos e platéias dos festivais, nos programas de tevês, na disputa pelo público universitário. Enquanto os conservadores proclamavam, entre outras coisas, a manutenção nacionalista de um Brasil idealizado e idealista, os tropicalistas colocavam no mesmo caldeirão o antigo e o novo, o agrário e o urbano, o bolero e o rock e conclamavam para a festa da deglutição antropofágica. Trinta e poucos anos depois nos damos conta: os tropicalistas estavam (apenas) antecipando o mundo de nossos dias, culturalmente globalizado pelas redes da Internet.

Referências Bibliográficas

_________________. Colégio Rainha da Paz – Música Popular brasileira: Tropicalismo: São Paulo, 1999.
http://www.rainhadapaz.g12.br/projetos/musica/historia_musica/mpb/Tropicalismo.htm

_________________. História da Arte – Tropicalismo: São Paulo, 2001.
http://www.artesbr.hpg.ig.com.br/Educacao/11/interna_hpg12.html

BONDAN, M. P. Tropicalismo - Aulas Virtuais com o Professor Bondan. Porto Alegre, 2000.
http://www.bondan.pro.br/aulas/tropicalismo.htm

CALADO, C. Revista Eletrônica de Música - Tropicalismo: nova atitude, nova música. Rio de Janeiro: Clique Music Editora, 2002.
http://cliquemusic.uol.com.br/br/Generos/Generos.asp?Nu_Materia=28

CALADO, C. Tropicália: A História de uma Revolução Musical. São Paulo: Editora 34, 1997.

KRUEL, K. Torquatália - Tropicalismo ou Cruzada Tropicalista: Teresina, 2001.
http://www.kenardkruel.hpg.ig.com.br/tropicalismo.htm

NAPOLITANO, M. Alta Fidelidade - O Tropicalismo no Contexto dos Festivais: Brasília, 1997.
http://www.geocities.com/altafidelidade/trop_cont.htm

NETO, A. R. Fundação Espaço Cultural da Paraíba - Permanência do Tropicalismo: João Pessoa, 2000.
http://www.funesc.com.br/engenho/textos/lite_t06.htm

VELOSO, C. A Verdade Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

Relação de Canções mais Significativas do Movimento Tropicalista

“Alegria, Alegria” – Caetano Veloso
“Domingo no Parque” – Gilberto Gil
“Tropicália” – Caetano Veloso
“Superbacana” – Caetano Veloso
“Soy Loco Por Ti América” (Gilberto Gil/ Capinam) – Caetano Veloso
“Marginália 2” (Gilberto Gil/ Torquato Neto) – Gilberto GilMutantes
“Miserere Nobis” (Gilberto Gil/ Capinam) – Gilberto Gil e Mutantes
“Lindonéia” (Gilberto Gil/ Caetano Veloso) – Nara Leão
“Parque Industrial” (Tom Zé) – Tom Zé
“Geléia Geral” (Gilberto Gil/ Torquato Neto) – Gilberto Gil
“Baby” (Caetano Veloso) – Gal Costa e Caetano Veloso
“Enquanto Seu Lobo Não Vem” (Caetano Veloso) – Caetano Veloso
“Mamãe, Coragem” (Caetano Veloso/ Torquato Neto) – Gal Costa
“Bat Macumba” (Gilberto Gil/ Caetano Veloso) – Gilberto Gil e Mutantes
“Saudosismo” – Caetano Veloso
“É Proibido Proibir” (Caetano Veloso) – Caetano Veloso
“Divino, Maravilhoso” (Gilberto Gil e Caetano Veloso) – Gal Costa
“2001” (Rita Lee/ Tom Zé) – Mutantes
“São, São Paulo” (Tom Zé) – Tom Zé

posted by Unknown / 6/19/2004 10:10:00 PM

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