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quarta-feira, julho 07, 2004
Começa mais uma Copa América para o Brasil
Sem grandes craques, seleção brasileira estréia desacreditada no Peru
O Brasil entra em campo nesta quinta-feira em Arequipa, cidade do interior do Peru, contra o Chile, na estréia da Copa América de seleções sem nenhuma de suas estrelas maiores. Esvaziada pela sua freqüência (o torneio é realizado a cada três anos)e por acontecer em meio as eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo, durante o período de férias dos atletas que atuam no futebol europeu, a Copa América vive a vagar de acordos políticos e esvaziamento cada vez maior de seus participantes. O Uruguai, por exemplo, esteve ameaçado de não ir, devido a uma dívida com seus atletas. E, além do Peru, praticamente só a Argentina veio com o time completo, se é que pode-se assim dizer, já que Riquelme, entre outros, não participarão da competição.
O Brasil, seguindo a lógica das últimas edições, não trouxe nenhum jogador da seleção principal, preferindo dar oportunidade aos atletas que atuam em solo brasileiro e aos "europeus" que possuem pouca ou nenhuma chance na seleção "original". Mesmo assim, a seleção estreará nesta quinta-feira repleta de problemas. O goleiro Júlio César quase foi cortado, devido a uma contratura na coxa. Mas joga. O lateral esquerdo Gilberto não teve a mesma sorte e foi cortado. Júlio Batista será poupado da partida devido a uma contusão e Kléberson foi afastado desta por conta de lesão parecida à de Júlio César. Em seu lugar deverá entrar Dudu Cearense.
Se, já sem contar com os grandes craques a coisa anda feia, o que dirá sem os que foram chamados à Copa. Um time que nunca jogou antes, desentrosado, desconhecido, com pouco tempo de treinamento e aclimatação aos 2.400 metros de altitude de Arequipa merece ser olhado com cautela. Sem contar a pouca repercussão do Brasil por essas terras, que tiveram poucos ingressos da chave C, que compõem: Brasil, Chile, Paraguai e Costa Rica
O técnico Carlos Alberto Parreira mesmo não cobra muito dos jogadores e já se defende, antes do início da competição, de um fracasso que pudesse acometer a seleção "genérica". Parreira não dá muita importância para o torneio, que serve, segndo ele, como uma observação de atletas que podem ser aproveitados em futuras convocações para a seleção principal. Mas, com isso, ele precisará ser menos conservador para testar posições, variações táticas, etc., e isso já é pedir demais do Parreira, portanto, o jeito é esperar e ver no que vai dar.
A verdade é que ninguém dá a mínima para o torneio, que começa sem nenhuma pompa e circunstância, totalmente em oposto ao que fora a Eurocopa, encerrada domingo último, com estádio lotado em todas as partidas e festa garantida nas arquibancadas e nos gramados. Mesmo com o futebol mais ou menos apresentado nos campos portugueses, coisa que já vem acontecendo desde a Copa do Mundo de 1990, na Itália, no mínimo.
Mesmo assim, o Brasil entra em campo como favorito e obrigado a dar espetáculo e a vencer, sempre. Isso coloca em risco diversas carreiras, a ponto dos jogadores se "queimarem", caso a equipe não consiga engrenar durante a Copa. E isso já ocorreu em vezes anteriores e, com rostos sem prestígio e renome na seleção brasileira, não será nenhuma aberração (mais) um fiasco.
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