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domingo, julho 11, 2004

A Violência Globalizada e sua Overdose na Mídia

Violência ameaça vida cotidiana até na televisão, valorizada por programas que banalizam o ser humano diariamente

A violência é um dos maiores problemas na sociedade globalizada de hoje. Com medo de tudo as pessoas cada vez mais fecham-se em si mesmas, andam pelas ruas receosas, em absoluta paranóia de estarem sendo perseguidas, isolando-se em suas residências. Mas, mesmo em suas casas, a violência as ronda, através da televisão, com programas que exibem demasiadamente chacinas e mortes, ou filmes de ação que mostram explosões e corpos dilacerados. Sem contar diversos desenhos que incentivam a violência, transformando o povo em um refém desse mal que perdura por toda a História da humanidade.

Um exemplo de violência foi mostrado no filme O Invasor, do diretor Beto Brant, que retrata a corrupção e a falta de valores e princípios da classe média nos últimos anos. A película retrata a história de três sócios (Giba, Ivan e Estevão) de uma construtora, sendo que, dois deles planejam o assassinato do terceiro sócio (Estevão), para ficar com a parte maior na construtora. Porém, o homem contratado par matar (Anisio) passa a participar do cotidiano dos mandantes, e da herdeira da construtora (Marina), e invade esse mundo que não era dele, contudo, a partir daquilo acaba se tornando seu. Giba, que insistiu em seguir com o plano de matar Estevão, começou a negociar escondido de Ivan. Teve também a idéia de matá-lo também, ou ao menos distrair Ivan nas drogas e na companhia de uma amante, para ter maior controle na empresa. No final, Ivan entrega tudo para a polícia, só que a mesma estava “comprada” e levou-o na casa de Anisio (agora rico, morando na mansão da filha do Estevão), sendo que Giba estava lá, planejando executar seu ex-parceiro Ivan, alertando para os policiais “darem um jeito no cara”, pois ele entregara todo mundo.

Essa história pinta bem o quadro atual da violência, beirando ao impensável de assassinar um amigo para obter mais poder, mais dinheiro. Sujar-se nesse mundo do crime para ter vantagem em relação a outras pessoas, mostrando inclusive o esquema previamente armado com a polícia, sem escrúpulos em alguns casos, revelando que as pessoas devem desconfiar de todos que conhecem.

E qual seria o papel da mídia na questão da violência em nosso país? Como a mídia deveria trabalhar para contribuir com a sociedade de uma forma que a violência diminuísse, e o cultuamento dessa prática fosse também dirimido?

Estas são questões bem complicadas de responder, justamente porque o papel que a mídia exerce atualmente, é o caminho contrário, principalmente no caso da televisão: "A mídia é uma das mais contundentes formas de se propagar e exaltar a violência”, afirma Rodrigo Cunha em artigo publicado no site Com Ciência. Exemplos clássicos disso são os programas Cidade Alerta, Linha Direta, Repórter Cidadão, exibidos pela Record, Globo e Rede TV!, respectivamente, e mais uma gama de outros programas que dramatizam e incentivam a violência, e distorcem o fato, colocando uma imagem diferente do ocorrido. Como Cunha diz, ainda no referido artigo: "A mídia interfere no fato, dramatiza e exagera na cobertura do episódio violento”.

Outro fator importante e que acarreta uma verdadeira espetacularização da violência hoje em dia são os filmes e desenhos que as crianças assistem. São criados mundos fictícios, que ninguém se machuca, além de abordar a violência de uma forma devastadora, prejudicando a evolução dos pequenos em muitos casos. “Nossa geração tinha referências altruístas: Jesus, Maria, São Francisco e, mais tarde, Gandhi, Luther King, Che Guevara etc. Éramos educados no idealismo, no sonho de mudar o mundo e fazer todas as pessoas felizes. Os paradigmas atuais são quase todos egocêntricos, violentos ou excessivamente erotizados”, declara Frei Betto em artigo publicado no site Mídia da Paz.

A mídia, no caso especial da televisão, deveria saber discernir o que deve ou não passar em determinado horário. Deveria também parar de colocar a violência em primeiríssimo lugar na sociedade, gerando um medo na população, ao dar ares espetaculares ao tipo de atrocidades que se pratica hoje, sem contribuir em nada à vida das pessoas. E essa melhoria aconteceria através de programas mais educativos para as crianças, elementos que acrescentem à cultura delas. Além de uma diminuição também de filmes excessivamente violentos na TV, bem como acabar com a banalização da violência na televisão, que a tem tornado hoje num entretenimento como qualquer outro.

Fontes

Com Ciência: Revista Eletrônica de Jornalismo Científico - Mídia dramatiza a violência, dizem pesquisadores. São Paulo, 2001. http://www.comciencia.br/reportagens/violencia/vio06.htm

Movimento Mídia da Paz – Educação e Violência Televisiva. São Paulo, 2002. http://www.midiadapaz.org/transformacao/freibettotv.htm .

* Texto originalmente escrito em 2002 e revisado em 2004.
posted by Unknown / 7/11/2004 11:43:00 AM

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