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quarta-feira, junho 15, 2005
Uma verdadeira alternativa para o povo latino-americano (*)
Rodrigo Herrero
Surge uma nova proposta de integração da América Latina, em oposição à submissão proposta pela Área de Livre Comércio das Américas (Alca), dos Estados Unidos. No final de abril, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, esteve em Cuba para firmar com o presidente cubano, Fidel Castro, 49 acordos de cooperação que marcam o início da implantação da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba).
O objetivo da Alba é ampliar a integração proposta pela Alca, fazendo com que os acordos não se limitem à área econômica, passando também a questões sociais e culturais, levando em consideração a solidariedade e o respeito à soberania das nações. Entre os acordos estabelecidos na reunião em Havana, estão a instalação de uma sede da PDVSA (empresa petroleira venezuelana) e do Banco Industrial da Venezuela, na capital cubana. É a primeira vez que um banco com capital inteiramente estrangeiro se instala na ilha. Em contrapartida, um banco de Cuba será criado na Venezuela.
O governo cubano também vai aumentar seu apoio à educação popular, com o objetivo de derrubar a zero o número de analfabetos na Venezuela, assim como é em Cuba. Na saúde, 30 mil médicos venezuelanos serão formados em Cuba, além deste governo prometer realizar 20 mil cirurgias em venezuelanos de baixa renda. Há acordos também nas áreas de transporte, desenvolvimento tecnológico, turismo, meio ambiente, produção agrícola, além da criação da TV Sul, uma rede continental de televisão.
Fim da Alca Essas propostas, por si só, já excluem os EUA, que vêem a Alca ir para o vinagre a cada dia que passa, pois os movimentos sociais das Américas fazem a resistência necessária para impedir que esse mega-acordo saia do papel. Inclusive, janeiro deste ano a Alca era para estar em funcionamento, mas a pressão interna dos trabalhadores impediu esse disparate. Para contornar isso, os EUA têm buscado uma alternativa para explorar os mercados latinos, por meio dos Tratados de Livre Comércio (TLCs) Andino, da América Central e do Caribe, que são acordos bilaterais, em que os EUA negociam diretamente com cada país.
Alguns acordos já estão encaminhados, mesmo assim, há países que não conseguem ceder às pressões estadunidenses, pois a oposição em seu terreno os coloca numa saia justa de lascar. Claro, um acordo meramente comercial, em que um país pequeno e de economia frágil, como o Panamá, por exemplo, vai se beneficiar em quê em relação a uma potência como os EUA? Somente países como Colômbia, Peru, Chile, que possuem presidentes alinhados e financiados pelo Império aceitam esse tipo de acordo que beneficiam sua classe, deixando os trabalhadores na miséria.
Não é a toa que Washington viu com cautela essa reunião de um país em fase de revolução (Venezuela) e outro com uma revolução consumada há mais de 40 anos (Cuba). Através de seu Departamento de Estado, informou que vai continuar pressionando por sua ¿agenda positiva¿, ao colocar que esta possui um futuro democrático. A retórica estadunidense de que sua fórmula de Estado é democrática e deve ser a única a ser seguida chega a ser revoltante, por querer aviltar a soberania das nações seguindo seus próprios caminhos, optando por acordos solidários e não comerciais, em que os povos são beneficiados e não os empresários.
Resta torcer para que acordos como os de Cuba e Venezuela se proliferem nas Américas e que a Alba seja realmente uma alternativa, tomada pelos demais países que queiram se libertar do capital estrangeiro para ter em suas economias a fortaleza necessária para se tornarem independentes de quem sempre os usurpou.
(*) Texto originalmente publicado em www.zinefuckoff.blogger.com, a zine mais visceral da internet.
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