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sábado, junho 21, 2003

Uma Nação Esquálida

Ninguém segura este país! Agora que o Lula baixo 0,5 ponto percentual da taxa de juros (eu sei que quem cortou isso foi o Palófi) o Brasil vai crescer, vai gerar emprego, renda circulação de mercadorias e vamos voltar a sonhar que somos do primeiro mundo, abrindo espaço para mais empréstimos e mais dívida externa.

Acreditar em sonho hoje em dia é um pecado mortal. Enquanto acharmos que somos primeira potência e ficarmos com a empáfia que temos potencial e condições de superarmos os outros, vamos nos enforcando e nos afundando na lama, igual na abertura de uma novela da Globo, meio antiga, mas que todo mundo afundava num troço estranho, parecia lama...

O Brasil só vai realmente crescer quando se der conta de quem realmente é, ao olhar para seus filhos morrendo de fome embaixo dos viadutos, subnutridos no Nordeste, surrupiados na Amazônia-terra-de-todos, abandonados no cerrado e planalto central, discriminados e violentados no Sul e a sua prole roubada e vilipendiada no Sudeste. Quando a empáfia burguesa for subjugada e o verdadeiro Brasil brotar, poderemos ter alguma esperança.

Há quinhentos anos o Brasil tem potencial para ser grande nação e por isso mesmo é saqueado e brutalmente agredido em suas florestas e gente. A mentalidade de país muleta, de inferior que os latinos possuem só vai ser quebrada quando admitida toda sua péssima condição de vida, olhando para os verdadeiros causadores de todo esse massacre.

Faz muito tempo que, quando o povo tenta revolucionar este país, é torturado e excluído. Vide a festa da "independência", um acordo de cavalheiros para não perderem o poder, a abolição da escravatura que jogou negros inferiorizados em ponto de igualdade com brancos ricos, a ditadura colocada em data estratégica, quando a esquerda brasileira ganhava espaço e o povo, independente de opção política, despertava e debatia sobre sua posição como sujeito histórico naquele momento. Até o fim da ditadura foi lenta e gradual, para quem coordenava tudo não sair da direção da nação, como até hoje permanecem “Sarneys”, “ACMs”, “Borhhausens”, “Delfins”, e tantos outros que viam o crescimento popular como um perigo para uma revolução e hoje destilam seu veneno para manterem-se.

Collor e sua divagação, criaram alguém para derrotar os "comunistas do PT", que hoje se mostram muito diferente disto, sendo apoiados inclusive por quem um dia os sabotou (isso sim é estranho). A aventura neoliberal de economistas estadunidenses da escola de Chicago, representados por um sociólogo que tinha todo o apoio popular para enterrar o Brasil mais ainda na dívida com o FMI.

Por fim, a nova aventura da extrema-direita, que parecia insanidade em deixar um "esquerdista" assumir o poder. Que nada. Mais uma vez eles estavam certos e jogaram uma cartada magnífica para aumentar sua influência: perderam hoje para ganharem mais amanhã. E assim o fizeram. Deram poder a quem será visto como traidor daqui alguns anos, ou apenas mais um que "mudou de lado". Como Tony Blair na Inglaterra, Fernando González na Espanha, Schroeder na Alemanha e os presidentes do Peru e Equador fizeram nos últimos tempos. Cada um arcando com a conseqüência que merecem pelo tamanho de sua nação.

E assim vamos caminhando e cantando e seguindo a canção. Por mais distante, esquálido e incólume que isso possa parecer hoje em dia.
posted by Unknown / 6/21/2003 01:29:00 PM

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