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sexta-feira, janeiro 07, 2005

Notícias de um velho (mesmo) filme

Olá amiguinhos...

Prosseguindo na fase poética, aqui estou para mandar mais uma poesia para cá, a primeira deste novo ano... Aproveitei um momento de tédio, angústia, espera, revolta e falta do que fazer em Recife (estou de férias) e escrevi mais um trecho lírico-poético herreriano, ou seja, mais uma poesia com triste ar de melancolia juvenil, característica marcante em minha "obra" de "longos" 9 anos...

Eu pareço mesmo um eterno "Werther" (um conto trágico de amor) do escritor alemão Goethe, com essa eterna tristeza do mundo e do amor, da vida desigual e dos sentimentos deiguauis desta terra fértil de horrores e infértil de harmonia e carinho... Pode acontecer o que for em minha vida que a angústia sempre estará lá, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença... nem é algo tão forte assim, mas vive a incomodar, algumas vezes. Enfim, a vida é assim. Tchau que vou dormir, pois o dia aguarda coisas interessantes, ao menos quanto a natureza. O resto depende do ser humano, aí, já sabemos, a coisa degringola...

Várzea à noite*

Escrevo na penumbra de uma casa
Com uma luz vinda da sala e dos postes da rua
O barulho das crianças e dos cachorros
Quebram o silêncio tranquilo do lugar.

Escrevo para o tempo passar
Fumo um cigarro para o tempo passar
Vejo as estrelas no céu e a vida passa
Os vizinhos conversam e o mundo pára.

As árvores calmas e verdes pouco se movem
Não há vento, mas o clima é agradável
Poucas nuvens celebram o espaço interminável
E observam o escritor a pensar cada verso.

Casa em construção, ruas sem asfalto
Carros estacionados, vagalumes e insetos vageiam
A vida vai embora e nada se transforma
Povo feliz, sofrido, mas na cega esperança.

Cidade atraente e repleta de histórias
E contrastes, como todas as outras
Beleza para se ver e contar: mar e monumentos
Arte, poesia, cultura... e muito calor.

A noite tudo desaparece e inexiste aqui
Só resta a calmaria de um banco sob a luz fraca
O cansaço de um corpo imóvel vence o dia
De uma alma atormentada por pensamentos revolucionários.

Tanta vida é vista e destroçada
Que este coração não consegue mais enxergar essa fina alegria
Nas mentes das pessoas, apesar desta miséria
Me diz - Como podemos ser felizes assim?

06/January/2005.

* Várzea é um bairro situado no "noroeste" de Recife e é onde passo minhas férias, na casa de amiga Ana Lira, do Rabisco. Tudo que é citado nas alegorias "físicas" (palpáveis) da poesia refere-se a Várzea, ou, no caso de coisa mais abrangentes ou profundas, falo de Recife.
posted by Unknown / 1/07/2005 01:12:00 AM

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