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quarta-feira, dezembro 25, 2002
Os Jovens e seus Paradoxos no Campeonato Brasileiro
Este Campeonato Brasileiro teve um resultado paradoxal. Primeiro, o que foi colocado na coluna do dia 12 de agosto aqui neste mesmo blog, acabou ocorrendo. O campeonato desse ano foi o da juventude, com muitos jovens jogadores despontando no torneio, outros se firmando, dando mais luz a essa “serra pelada” que não se esgota nunca, de nome futebol brasileiro.
O exemplo clássico está no campeão brasileiro: o Santos. Após fracassar nos anos anteriores, ao investir milhões para trazer medalhões como Rincón e Edmundo, sem conquistar nenhum título, o presidente, até por falta de verba, resolveu investir na garotada que estava despontando nas equipes de base, e acabou logrando êxito. Contratando um técnico que gosta de mandar e não trabalhar com estrelas, Leão não teve voz à altura para combatê-lo, e assim trabalhou melhor. Formou uma molecada coesa, com objetivo único, sem vaidade ou disputas internas. E mesmo com os altos e baixos normais de um time tão jovem quanto o da Vila Belmiro – em que o mais velho é o lateral-esquerdo Léo, de 27 anos –, esses profissionais conseguiram transpor todos os obstáculos e colocar o escrete praiano de volta à Libertadores.
O primeiro desses grandes obstáculos foi vencer o único time, talvez, a não seguir esse padrão nacional de apostar nos juniores: o São Paulo. O Santos não tomou conhecimento do melhor do campeonato até aquele momento, venceu as duas partidas e classificou-se para massacrar o Grêmio na semifinal. Já nas finais, o grande bicho papão de títulos dos últimos anos, o Corinthians, sofreu com o alvinegro da baixada. O Timão tomou um verdadeiro “olé” no primeiro jogo, e nem teve chance de suplantar a força santista. Já na segunda partida, o Santos mais parecia um time de veteranos. Jogaram com inteligência e calma, praticando um futebol bonito e objetivo, orquestrado por Robinho que chamou para si a responsabilidade, após Diego sair no início do jogo. Título merecido a quem uniu jovialidade, qualidade, responsabilidade, eficácia e competência, trazendo de volta a alegria para a torcida santista, que há 18 anos não via seu clube vencer um capeonato tão importante como esse.
Mas, por um outro lado, algumas equipes que fizeram essa mesma aposta, já sem a organização e responsabilidade necessária, acabaram tendo resultados pífios, derrubando inclusive, alguns times para a Segunda Divisão. Foi o caso da Portuguesa, campeã da Taça São Paulo de Futebol Juniores deste ano, que promoveu o técnico vencedor, Edu Marangon, junto com todos os novatos, na esperança dessa molecada fazer um bom papel. A conseqüência dessa falta de visão e profissionalismo foi o descenso do time da Lusa, que vai demorar a voltar para a Primeira Divisão, a não ser que se vire a mesa mais uma vez..
O Palmeiras fez algo parecido. Entretanto esse caso foi por conta da incompetência e omissão de seu presidente, Mustafá Contursi, que, após perder Vanderley Luxemburgo para o Cruzeiro, contratou Flávio Murtosa, um técnico sem experiência e que viveu sempre à sombra de Felipão. Ainda permitiu que a discussão entre jogadores vazasse na imprensa, mostrando todo o descontrole, desunião e desorganização que reinava dentro do clube. Resultado: mais um “grande” rebaixado. Fato um pouco diferente foi o do Botafogo, que já há 5 anos “bate na trave” da Segunda Divisão, se salvando até com viradas de mesa. Mas dessa vez, ao que tudo indica, finalmente a “Estrela Solitária” está no lugar que merece. E assim foi com o Flamengo, Vasco, Internacional, e tantos outros, que só apostaram nos jovens valores por falta de dinheiro, sem nenhum planejamento, colocando essas potências tradicionais na bancarrota do futebol nacional.
Como dito na coluna do dia 12 de agosto, é preciso apostar nas categorias de base. Necessita-se investir bastante para colher jogadores como o Diego e Robinho do Santos, Gil do Corinthians, Kaká do São Paulo, o goleiro Diego do Juventude, Paulinho do galo mineiro, Léo Lima do Vasco, Liédson do Flamengo, Paulo Roberto do Fluminense e tantos outros valores que fazem o grande espetáculos nos gramados brasileiros. Mas há que se ter responsabilidade e profissionalismo, ao mesmo tempo coragem e boa dose de sorte, para que os times prossigam na vitrine do futebol mundial, sem gastar muito dinheiro, sempre revelando as promessas do inesgotável celeiro de craques chamado Brasil.
domingo, dezembro 22, 2002
COME BACK
Oi Pessoas! As coisas andam agitadas e corridas na minha vida ultimamente. Não consigo mais Ter tanto tempo disponível para escrever para o blog, agora que estou trabalhando. Até a coluna anda toda dispersa e esparsa. Apenas esse conto que publiquei na semana corrida serviu para preencher a lacuna que fazia-se presente no blog. Um fato que impossibilitou também para eu escrever a coluna na semana passada foi o tempo que os textos que escrevi para o Rabisco me ocuparam. Foi tamanho, que quase nem deu para concluir os mesmos. Mas, após essa semana, e em clima de festas de final de ano, cá estou com um “tempinho” livre para escrever para vocês. Engraçado que só agora que estou notando essa coisa de Natal e Ano Novo. E tudo pelo clima “festivo” e de debandada geral na empresa onde trabalho. Toda a gerência, mais grande parte dos funcionário vão tirar férias coletivas e ontem foi o último dia no ano desse pessoal. Teve até “festinha” de confraternização, com direito a panetone, champanhe, bolo e salgados. Aí sim comeceia perceber essa coisa ao mesmo tempo capitalista e retrô do Natal, bem como as desculpas para festas que a virada do ano traz. Enfim, tudo serve de ajuda para afirmarmos para nós mesmos que somos felizes. E viva o tucano Meirelles no Banco Central.
“Divirtam-se”!!!
Semanal
Senado aprova presidente tucano no BC
O senado aprovou esta semana a indicação do governo Lula para a presidência do Banco Central. O novo presidente será do tucanato. O deputado federal eleito Henrique Meirelles (PSDB-GO) tomará conta do processo de transformação do BC, no qual levará maior autonomia ao presidente da instituição. Além desta, outra proposta endossada por Lula e Palocci é a de estipular mandatos fixos para o presidente do banco, no que facilitará as decisões dos mesmos. Não se sabe para quê, já que as decisões tem caráter cada vez mais conservador, mantendo quase um terceiro mandato econômico do PSDB, do que com reformulações e melhorias do atual quadro caótico vivido pela economia brasileira. Uma amostra disso são as palavras de Meirelles no que tange a maneira como irá conduzir a presidência do BC. O futuro presidente afirmou manter a proposta econômica do governo FHC: metas de inflação e câmbio flutuante. Pior, reforçou a posição de não baixar as taxas de juros em hipótese alguma, alegando não ser “função do BC”. O PT transparece em cada posição que vai deixar os outros governarem, assistindo e aplaudindo todas as posições dos mesmos políticos e partidos que sempre criticou. Lula, a cada dia que apssa, joga na lata do lixo a chance que ele mesmo afirmou que o partido tinha, de dar uma vida mais digna ao povo brasileiro.
Brasileirão terá pontos corridos. Será?
Em reunião realizada no conselho técnico da CBF, nesta Terça-feira, foi aprovada a proposta do clube dos 13 de fazer o Campeonato Brasileiro de 2003 em pontos corridos, com turno e returno. O campeonato contará com a participação de 24 times, disputando 46 rodadas, tendo oito meses de duração, com início previsto para dia 29 de março e término no dia 14 de dezembro. Será a primeira tentativa na história de realizar uma competição nacional com essa fórmula de disputa. Resta saber se Eurico Miranda e companhia vão aceitar isso incólumes, sem fazer a tão pouco falada virada de mesa. Provavelmente os cartolas de nosso pobre futebol estão esperando o tempo correr, aproveitando as férias para fortalecer as bases para reconduzir os fracassados que caíram para a Segunda Divisão e voltar com o mata-mata na reta final, tão elogiado por Galvão Bueno no jogo final do Brasileirão deste ano. Parece jogada de marketing, e ao mesmo tempo política, querer induzir o povo a boicotar esta fórmula, porque, segundo muitos, “brasileiro gosta de final”. Mas qual o problema de se testar uma nova forma de disputa? Há cada ano muda-se o estilo da competição, porque não tentar uma nunca antes usada? Só porque a mesma é justa com aquele que possuir mais vitórias, sem dar nenhuma chance para quem foi mal durante a competição? Não é a toa que o oitavo colocado do Campeonato Brasileiro foi o vencer do torneio. É isso o que os dirigentes querem, a não ser quando os seus próprios times são prejudicados nesse tipo de situação. Outro fato interessante é que ficou proibida a venda de ingressos no valor menor a 10 reais. Realmente esses políticos da bola não querem ver os estádios cheios, com as torcidas dando espetáculos e lucro nas bilheterias. Eles não querem o futuro, preferem o passado, que ficará apenas na memória, após a falência do futebol brasileiro, que somente sobrevive graças aos “Diegos”, “Robinhos”, “Gils” e “Ronaldos” da vida.
Reajuste na tarifa de ônibus põe em cheque projeto da prefeita em “revolucionar” os transportes paulistanos
Após os donos das empresas de transporte de São Paulo chorarem por um abusivo aumento para R$ 1,91 da passagem de ônibus, a prefeitura de São Paulo cedeu em parte e aumentou para os não menos abusivos R$ 1,70, que vigorará a partir de janeiro. Porque será que sempre que os funcionários fazem greve exigindo salários mais dignos e melhores condições de trabalho, as empresas vão pedir reajuste da tarifa e não pegam o dinheiro de seus extraordinários lucros nessa fábrica de dinheiro chamada ônibus paulistano? E sempre a prefeitura paga o pato, e sempre arrumam uma desculpa para o aumento, que dessa vez foi a alta da gasolina. Depois reclamam porque a inflação sobe e os lucros dessas empresas caem, provocando novas greves e novos reajustes. Mas, e a tão propagada “transformação nos transportes urbanos de São Paulo”? A prefeita Marta Suplicy colocou como uma de suas prioridades reorganizar toda a frota de ônibus de São Paulo, com um preço de passagem mais digno e veículos mais condizentes com um bom transporte coletivo. Falaram muito em novas licitações, que gerariam uma revolução no transporte público da megalópole. Mas tudo ficou na base da promessa. O Secretário de Transportes se demitiu, até agora ninguém sabe o porquê. Talvez porque tenha notado que a máfia é muito grande lá dentro, expondo à prefeita que nada do que ela planejara poderia ser feito. Apenas vontade política não resolve o problema e sim uma verdadeira lavagem dos poderes públicos para poder realizar algo em benefício da população que, enquanto isso, sofre com as tarifas astronômicas.
Deputada eleita do Prona escapa de cassação. Graças ao PT
A deputada estadual mais votada do país não vai ser cassada. Após manobra política do PT, que trocou um vereador que iria votar a favor da cassação por outro que votou contra, Havanir Nimitz (Prona-SP) conseguiu manter seu mandato. Havanir foi acusada de vender candidaturas pelo Prona no valor de R$5.000,00. A alegação da deputada eleita era que o valor era referente a compra da cartilha do partido, confeccionada pela editora do deputado federal eleito, também pelo Prona, Enéas Carneiro. O PT conseguiu, de última hora, trocar o vereador e virou o placar da votação na Comissão de Sindicância da Câmara, que ficou 5 votos contra a cassação da deputada e 4 a favor. O difícil é encontrar um motivo plausível para responder a causa da atitude tomada pelo partido petista. Os mesmos que sempre combateram esse tipo de conchavo, reclamavam tanto dessas negociações espúrias entre os partidos do governo, mas quando chegou ao governo, continuou usando dos mesmos artifícios. Agora, qual vai ser a “recompensa” que o Prona irá ceder ao PT? Apoio político de um partido minúsculo que só terá algum candidato lá graças ao voto de protesto sem conhecimento político dos eleitores paulistas? O PT ainda não costumou a ser vidraça, e cada vez mais vai se enrolando em suas próprias administrações, dando mais condições dos partidos conservadores de fazerem críticas e minar eleições futuras do partido ex-esquerda.
Fonte: Sites Terra e Invertia
quinta-feira, dezembro 19, 2002
Noite Sem Fim para um Amor sem Início
A mente angustiada passeava pela casa deserta. Todos haviam saído para comemorar o novo ano que se adentrava. Mas aquela alma parecia penada, algo de outro mundo, vagando em vão, indo e voltando, como que se estivesse esperando o tempo morrer. O corpo disperso só se acalmava depois de sorver alguns bons goles de um wiskhy. O líquido descia pela garganta, queimando o esôfago, destruindo tudo o que via pela frente, fazendo o interlocutor de nossa história contorcer seu estômago, como se uma úlcera tivesse saltado naquele momento.
Passados mais alguns longos momentos daquela noite, que se iniciara eterna, eis que o telefone toca. Pessoas procuram por aquele que falava meio embargado. Não se sabe se por causa das lágrimas ou da garrafa de wiskhy que esvaziou-se desde o fim de tarde até o início daquela escuridão. Gilberto – o nosso sôfrego – respondeu que estava saindo, terminando de se arrumar. E despistou, desligando o telefone, quando perguntaram se algo lhe ocorrera.
As oito badaladas do relógio da sala registraram a hora em que Gilberto se levantou, se dispondo a andar até a porta, para ir a quem o havia ligado e incomodado seus momentos angustiosos de espera e solidão. Para ele, estar sozinho com sua agonia e seus devaneios era melhor e menos perigoso do que enfrentar o medo das possibilidades que a vida nos proporciona. Passo por passo, meio cambaleante, muito lentamente, Gilberto pôs-se a caminhar rumo ao destino que lhe reservara alguma surpresa naquela noite. Ou não. Apenas reservara algumas cervejas e vômitos, como já estava costumeiro.
Meia hora depois, após parar em uma padaria para comprar cigarro e tomar uma dose de 51, eis que o personagem “ilustre” da comemoração de fim de ano, um dos mais queridos do grupo chega próximo ao recinto, antes porém, caindo ao meio fio. Alguns transeuntes o reconhecem e gritam o nome do dono da casa, pedindo para ver o que acontecera. À primeira vista, nada demais – todos já se acostumaram a ver o rapaz naquele estado pelo bairro–, mas acontece que dessa vez ele demorara um pouco mais a acordar. Quando os vizinhos começaram a dispersar, eis que o trôpego de camisa branca, já muito suja, põe-se a levantar e saudou os amigos, se desculpando pelo ato desleixado. Com isso, todos adentraram a casa com uma sensação de alívio e insegurança, pois a noite apenas estava começando e já se tinha péssimos episódios a relatar.
Engraçado que, a medida que os convidados iam chegando, Gilberto sorvia mais rapidamente as cervejas que lhe ofereciam. Isso demonstrava claro sinais de ansiedade e desespero que o rapaz sofria em seu canto escuro e depressivo do jardim. A festa começava a empolgar, o som dançante tocava alto, pondo muitas pessoas a requebrar-se. Gilberto não gostava de dançar. Na verdade, não sabia. Tentara, em vão, anos antes, nas poucas festas que ia com amigos, provocando total desastre nas pistas. Preferia, hoje, continuar tomando sua cerveja, fumando seu cigarro, sem ser notado por absolutamente ninguém. Isso, ninguém mesmo, nem os amigos que mais gostam dele. E não é nem por vergonha que os amigos não se aproximam muito, e sim por saberem do auto-isolamento que Gilberto se propôs há alguns anos. Já foi muito conseguir fazer o jovem sair de casa e ir até José e Paulina, dois de seus melhores amigos e responsáveis pela confraternização da virada de ano.
Gilberto, muito arredio, não queria ir, até por motivos compreensíveis. Mas, por insistência dos dois, ele não pôde recusar pela décima vez o convite. Até por não visitar os colegas há uns 2 anos. Apenas quando José, à caminho do trabalho, passava para ver como estava o amigo-irmão. Ou os constantes telefonemas de Paulina, que se preocupava muito com a saúde dele, que andara muito debilitada nos últimos meses. Gilberto não sofria de mal nenhum, ao menos aparentemente. A não ser a bebida que consumia seu corpo vorazmente nos últimos meses. Mas isso era irreversível, Gilberto não iria largar um dos mais prazerosos vícios dele: a bebida. Amiga, fiel, protetora, boa ouvinte. Que consola, aquece, esquece, adormece, transcende, perde a consciência. Tudo aquilo que nosso personagem desejava quando seu coração apertava. Ainda mais no dia de hoje, com tanta expectativa e medo juntos, nada melhor que algumas cervejas e outras doses de wiskhy para manter o resquício de coragem restante a essa alma quase morta, ao menos socialmente.
Gilberto, José e Paulina tinham ainda outro amigo de longa data que já estava na festa quando nosso companheiro bêbado chegou: o Marcondes. Esse era um grande irmão para Gil – como os amigos costumam chamá-lo – , uma pessoa que sempre obteve auxílio. Contudo, acabou ajudando e muito o amigo, principalmente depois dos 22 anos, quando o agitado Gilberto mudou seu jeito de ser. Marcondes sofreu muito com o isolamento de seu mais fiel amigo, tanto que acabou por se afastar também, como se tivesse criado uma barreira entre os dois, apesar do amor fraterno que ambos compartilhavam entre si.
Alguns até agora não estão entendendo o que esse cara totalmente insólito tem de ilustre e querido em uma festa de pessoas tão alegres e divertidas, enquanto o mesmo permanecia escondido entre árvores, como se estivesse fugindo de algum fantasma? É que vocês não conheceram ele alguns anos antes. Jovial, alegre, otimista, divertido e até levemente bagunceiro, Gilberto encantava a todos com suas brincadeiras. Juntamente com José, Paulina, Marcondes, formavam um grupo de pessoas que sempre se mantiveram unidos, com uma amizade bastante sincera e forte, defendendo a todos com unhas e dentes. Até que seu protagonista principal sofreu um baque que lhe fez perpetrar pelos caminhos sem retorno da bebida e do recolhimento. Ninguém entende como isso aconteceu, mas sabem o porquê. Mas nunca chegaram a comentar, até para não piorar o estado do rapaz, que pareceria um menino, não fosse o auto-flagelo em que ele se condicionou a viver nos últimos anos.
11 horas da noite. A alma de Gilberto começava a se aliviar. “Estou livre disso”, acreditava ele, urrando dentro de si palavras felizes de viva. Até que, com o som de uma palavra gritando o nome de Paulina no portão, um frio na espinha de Gilberto surgia, fazendo-o suar como se estivesse um calor de 40 graus à sombra. No entanto, seu corpo ficara congelado, seu rosto pálido como o mais alvo dos brancos, ao passo que suas pernas amoleciam. Fez sentar-se em uma cadeira que estava a seu lado, enquanto, paralisado, fixava o olhar no céu longínquo, como querendo fugir daquela casa.
A pessoa que gritara o nome de Paulina no portão era a “causa” de todo o sofrimento e alteração de personalidade do jovem Gilberto. Marília era o nome dela. Já faziam alguns bons anos que os dois não se viam, como se fosse um pacto para que não houvessem conflitos. Também amigos de muito tempo, Marília fez parte do grupo, até o dia que Gilberto descobriu-se apaixonado por ela. Ah! Que momento de alegria ele viveu quando começou a sentir tais sentimentos belos. Passeava pelas calçadas vizinhas à sua casa com felicidade sem tamanho, cumprimentando a todos nas ruas, no auge de seus 18 anos de idade. Mesmo sem dizer para ela, o então menino Gil sentia-se feliz, apesar da angústia que lhe assombrava de vez enquando, por desejar algo mais do que sentir sozinho aquilo. Queria ela perto pra si, sentindo a mesma paixão que ele.
E foi com esse desejo de união e todo esse amor que Gilberto escreveu uma carta a Marília. Nervoso, mas esperançoso, ele postou a carta no correio, contando os dias para chegar a seu destino. Não moravam longe um do outro, mas Gilberto não tinha coragem de levar a correspondência até a residência de sua amada. Passaram-se 3 dias e nenhuma resposta: nem por carta, nem por telefone. O rapaz começava a perder os sentidos de tanta ansiedade e nervosismo que eclodiam em seu espírito. E foi assim durante semanas, meses, anos. Nenhuma resposta de Marília ao coração totalmente despedaçado de Gilberto, que, sem coragem de perguntar a sua algoz, resignou-se a destruir a própria vida, em protesto contra a mesma vida que não o permitia possuir o que desejava.
Bom, mas voltando ao contexto atual, 7 longos anos depois, ambos iriam se reencontrar. Gilberto não imaginara esse dia há muitos anos, nem em suas mais profundas crises de loucura, que tinha de tempos em tempos. Agora, encontrava-se o rapaz completamente atordoado, olhando fixo para o nada, esperando a sua “morte” chegar. Marcondes percebeu o que estava por acontecer e foi “socorrer” o amigo. Gilberto não respondia nada, só olhava fixamente o céu, como que procurando alguma estrela que o escondesse àquele momento. José, que estava atrapalhado com seus convidados não pôde assistir ao amigo em precárias condições. Nem mesmo ele sabia da presença de Marília à festa, apenas Paulina. E o próprio Gilberto.
Aos passos que se seguiram quando as duas subiam as escadas, o coração daquele homem amargurado disparou de um tal modo que Marcondes ficou aflito, pois ele mesmo conseguia ouvir os batimentos sem por o ouvido no peito do amigo. Na virada para o espaço, eis que Marília avista o “preterido” Gilberto. Ela mesma fica um pouco aturdida, olhando para a amiga Paulina, cobrando o porque do não-aviso da presença do rapaz. Mas após esse momento de arrogância, Marília resolve evitar o ex-amigo, mais por vergonha do que pelo inicial desprezo..
Os momentos antes da meia-noite se seguiram em um clima pesado. Apesar de todos continuarem se divertindo, o “grupo” encontrava-se dividido. Marília, que permanecia sem olhar para Gilberto, não largava de Paulina, que, por sua vez não tirava os olhos de Gilberto, que já era assistido pelos amigos Marcondes e José. Este último conseguira desvencilhar-se dos parentes. As únicas palavras que Gilberto pronunciava, além de solicitar a José mais cerveja e wiskhy, eram: “és mais bela do que tudo no mundo”, com um ar tristonho, mas de certo modo entusiástico. Os amigos apenas aquiesciam de suas palavras, e atendiam seus pedidos de bebida.
Meia-Noite. A hora certeira. O momento em que todos se cumprimentam, desejando felicidades e realizações para o ano vindouro. Segundos em que os homens abrem as garrafas de champanhe para comemorar. Até as crianças tomavam um pouquinho. Gilberto gostava da bebida, mas nem podia beber mais, não agüentava. Todos se confraternizando. Até Gilberto se levantou e saiu do seu “canto escuro” para apertar a mão de alguns presentes à festa. Quando, em um movimento absorto, quase involuntário, Marília surge, com uma garrafa de champanhe, a frente de uma luz forte, que quase cegava Gilberto. Mesmo assim o rapaz conseguira ver quem era. Já sem mais o que fazer, resignou-se a dizer um “olá”, ao que se seguiu:
- Como você está Gil? – pergunta ela, como se não percebesse como estava o rapaz.
- Acho que você pode notar como estou.
Mesmo com a seca e abrupta resposta, Marília avança em sua tentativa de aproximação.
- Quer um pouco? – a garota oferece a Gilberto um gole de champanhe.
- Aceito.
- Feliz ano novo para você Gilberto.
- Obrigado. Para você também.
E assim começou um longo papo. O frescor do champanhe quebrou a vergonha de ambos, pondo-os a falar. Gilberto só queria saber o motivo do eterno silêncio de sua paixão de adolescente. Mas, as suas perguntas não teriam resposta num primeiro momento. Marília destinou a conversa, inicialmente, a falar como foi sua vida nesses longos anos, dizendo que sentiu muito a falta do amigo Gil, e que ressentia muito ter se afastado da forma como aconteceu. Pedia-lhe desculpas (a essa altura Gilberto já “não acreditava” no que ouvia) pela omissão, comentando que havia adorado a carta recebida, mas que não sentia o amor recíproco que o amigo reservava a ela. Sentiu-se envergonhada, mas totalmente incapaz de dirigir-lhe a palavra, impedindo também que os amigos comentassem o assunto.
Gilberto, já sem muito o que dizer, prostrou-se a chorar. Mas não a cair lágrimas como em sua residência, antes de ir para a festa, e sim a derramar água compulsivamente, como se fosse um rio que desaguava naquele instante. Marília, compungida de ternura consolou o “amigo”. Coberta de compaixão, a moça acariciou o rosto do rapaz, dizendo-lhe:
- Gil, eu gosto muito de você e não quero que fiques assim. Você sabe de tudo o que aconteceu comigo e eu começo a saber o que houve com você agora, então, eu te peço: pare de se destruir assim. Não chores mais, eu não mereço tanta atenção sua, tanto sofrimento de sua parte. Peço também que esqueça-me como alguém que amas, mas não como amiga. Isso eu quero preservar até a eternidade.
Com essas palavras cortantes a um coração já esfacelado, lá pelas 6 da manhã, o dia clareava. Só restavam os dois no lado de fora da casa, e enquanto o resto “grupo” tinha se recolhido a dormir, Gilberto se ergueu e decidiu ir embora. Marília questionou o porquê de ir aquela hora, ao que o Gilberto respondeu:
- Depois dessa noite, nada mais será novidade para mim, nem o fim. Tudo que eu fiz comigo está feito e não pretendo mudar. Ao menos aspiro ser mais quem eu sou, sem me esconder na dor do passado de sua presença em meu coração. Não digo que vou esquecê-la, mas também não peça-me que ame outro alguém..
E assim, em passos meio esparsos e dispersos, mas firmes, Gilberto se conduziu a rua, enquanto a Lua o saudava e o vento lhe assoprava um gostoso aroma de frio. Ao fundo, Marília enxugava as lágrimas, através de um sorriso triste, porém menos angustiado, assim como Gilberto após aquela passagem de ano, que marcaria fundo suas vidas pelo resto dos dias.
Obs: Qualquer semelhança dessa história com a vida real não é mera coincidência.
Autor: Rodrigo Herrero Lopes.
quarta-feira, dezembro 11, 2002
Artigo - Parte Final
A implantação e o fracasso do modelo neoliberal no Brasil
No Brasil, o modelo neoliberal teve início por volta de 1991 com Collor. Isso processou-se lentamente, mas foi o bastante para que o então ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, o ex-sociólogo Fernando Henrique Cardoso, iniciasse de vez a instauração das políticas neoliberais, ao implantar o Plano Real. Na verdade, como afirma José Fiori, o Real não foi criado para eleger Fernando Henrique e sim o ex-sociólogo foi concebido para viabilizar a volta definitiva da coalizão direita-conservadora ao comando total do país.
FHC: o reorganizador da coalizão direito-conservadora no país
Mas na verdade tudo começou em 1989, a partir de uma reunião em Washington entre acadêmicos e economistas americanos, funcionários do governo, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. Dessa reunião saiu um documento, criado pelo economista John Williamson, denominado pelo mesmo de Consenso de Washington. Neste, segundo Célia Chaim – em artigo publicado na revista Isto É em 16/10/02 – rezam as seguintes “recomendações”: disciplina fiscal, reforma tributária, taxas de juros positivas, determinadas pelo mercado, câmbio competitivo, desenvolvimento de políticas comerciais liberais, maior abertura ao investimento estrangeiro, privatização,profunda desregulamentação, proteção à propriedade privada. Algo muito semelhante, para não dizer idêntico ao que propôs Hayek há quase 6 décadas atrás.
Na verdade esse “pacote” consiste em uma estratégia de homogeneização das políticas econômicas nacionais operadas em alguns casos, diretamente pelos funcionários daqueles bancos. Essa homogeneização acontece, pois, em sendo um consenso, as mesmas medidas devem ser aplicadas em todos os países, desrespeitando completamente as características de cada nação, povo, etc. Tanto que esse “consenso” foi condicionado a todos os que deviam ao FMI e Banco Mundial – supervisores da implantação dessa política. Isso quer dizer que, em muitos casos, as dívidas foram renegociadas ou atenuadas, pois determinado governo aceitou servilmente a implantação desse modelo em seu território. Esse fato ocorreu não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina, menos Cuba, por conta dos problemas econômicos entre a ilha e os Estados Unidos, beneficiário e impositor, para que essas resoluções sejam cumpridas em todos esses países.
O problema mais grave é que apesar de ter sido quase uma imposição, o governo FHC, bem como seus aliados, optaram deliberadamente por essa política neoliberal, condicionando-a como a única forma de fazer o país crescer. Claro que isso não foi explícito, até mesmo porque FHC nunca admitiu ser um neoliberal. Mas a maneira encontrada para atrelar a retomada do crescimento a um novo projeto foi a saída pela tangente com o Plano Real, que proporcionou uma bolha de crescimento por determinado tempo. O problema é que esta bolha acabou levando o país a um buraco negro praticamente sem saída, transformando a população em pagadora dessa situação crítica, causada pelo próprio governo FHC, que sempre se intitulou como “social-democrata”.
Após a posse, uma das primeiras medidas de Fernando Henrique foi convencer a todos que as reformas constitucionais seriam condição sine qua non para a estabilização da moeda e, conseqüente retomada do crescimento do país. Só que as reformas passariam de qualquer forma pelo Congresso Nacional, portanto, esse “alarde” criado pelo presidente se deu mais por alguma justificativa eleitoral, já que seu projeto dos cinco dedos (saúde, educação, emprego, habitação e segurança) para o Brasil caiu no esquecimento depois da vitória na primeira eleição. Acontece que essa reforma ruiu quase todas as conquistas obtidas com muitas dificuldades na Constituição de 1988.
Resultado do descaso do governo FHC
A segunda medida tomada foi manter o controle da moeda e da inflação, que na verdade tornou-se algo a ser feito durante todo o governo. Porém, José Fiori diz que essa maneira de tentar estabilizar a moeda gerou uma “concentração grande de riqueza no país”, levando “a maioria da população à pobreza”. Esse tornou-se um problema difícil de ser solucionado, pois Fernando Henrique – bem como a maioria dos presidentes da América Latina – foi eleito por conta dessa estabilização em forma de bolha que transformou as economias em reféns da especulação mundial, onde um bilhão de dólares pode passear de uma noite para outra por dois locais distantes no mundo. Com isso o mesmo é coagido pelas economias estrangeiras em nome da salvação dos bancos, da economia, em detrimento da saúde do povo, para conseguir manter o país em situação favorável a investimentos. Fato que acaba por não ocorrer, pois, nem o investidor tem garantias a curto prazo de manter o capital no país, como o presidente tem possibilidade de dar garantias a população de que tomará medidas a longo prazo para resolver os problemas sociais no país, já que não há investimentos.
Certamente, como dissemos, durante um tempo, mesmo que iníquo, os países latino-americanos obtiveram algum crescimento, que foi assinalado como “milagre econômico”. Contudo, isso só foi possível, segundo José Fiori em Moedeiros Falsos, pois a nova tentativa de estabilização coincidiu com uma recessão mundial acompanhada da baixa das taxas de juros oferecidas pelos países centrais. Portanto, isso levou os países a um crescimento enganoso, destruindo ainda mais as economias dessas nações, gerando um aumento brutal na desigualdade social e conseqüente insatisfação generalizada da população.
Nisso, começaram os apoios do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial, que colocaram condições para a renegociação de dívidas e a novos empréstimos. As condições já eram mais do que conhecidas: manter a inflação baixa, as taxas de juros altas, preservando sempre os investidores e a economia internacional. E assim se procederam as privatizações das empresas de telecomunicações, da Vale do Rio Doce, etc., mantendo essas medidas que já vinham sendo feitas por longos anos. Porém nada mudou, pois as vendas não alteraram o grave quadro que amarrou e mantém amarrado o Brasil, bem como todos os países atualmente, impedindo os mesmos de tomar alguma decisão que não prejudicassem a si mesmos e ao mercado. O que cria a chamada ditadura do mercado, atrelando tudo as necessidades do mercado internacional, relegando a população
à segundo plano.
Resumidamente, Fernando Henrique Cardoso agiu, na visão de Fiori, das seguintes maneiras para prosseguir em seus dois mandatos: Primeiramente, ele assume que só tínhamos espaço de crescimento associado. Em segundo lugar, que isso passava por uma internacionalização crescente dos nossos mercados. Na seqüência, que isto passava pela estratégia liberal: a velha idéia do desenvolvimento associado. Mais a frente, o presidente mudou sua posição novamente, resolveu defender o desenvolvimento associado no sentido lógico, havendo uma internacionalização e dependência ainda maior do nosso Estado e da nossa economia. Contudo, a posição seria tomada com uma estratégia completamente diferente: economia aberta, o Estado fora do setor produtivo e as empresas nacionais quebrando ou se internacionalizando, que foi o que ocorreu efetivamente. Assim, passamos a ser mais dependentes do que antes dos humores da economia internacional, e apostamos todas as nossas fichas nas virtudes dos mercados desregulados capazes, segundo eles, de fazerem uma correta, eficiente e equilibrada alocação dos recursos provenientes dos investidores privados, sobretudo os internacionais.
O que isso acabou por gerar em nossa sociedade? O mais completo descontrole da situação, onde, além da moeda perder todo o seu poder, batendo nas últimas semanas a casa de R$ 4,00 reais por U$ 1,00 dólar, acabou com toda a estabilização financeira, afugentando os investidores, deixando o país, assim como o México a partir de 1994 e a Argentina nos últimos anos, em uma situação caótica, não somente do ponto de vista social, mas também econômico. Portanto, além de não conseguir levar o país ao crescimento e não reerguer a economia, essas políticas neoliberais deixaram o país com a margem de excluídos maior de toda a história.
Biliografia
FIORI, J. L. Os Moedeiros Falsos. 4º ed. Petrópolis: Vozes, 1997.
HAYEK, F. V. O Caminho da Servidão. 2º ed. São Paulo: Globo, 1977.
HOBSBAWN, E. Era dos Extremos: o breve século XX:1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
SADER, E. GENTILI, P. (orgs.) Pós-Neoliberalismo. 5º ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
XAVIER, M. Política On Line – A Seita do Mont Pélerin. Porto Alegre, 2002. http://politicaonline.blogspot.com/
CHAIM, C. Revista Isto É Globalização: Não Deu Certo. São Paulo, 2002. www.istoe.com.br
sábado, dezembro 07, 2002
Correrias e Contra-Tempos
Olá gente! Desculpem-me pelo sumiço. É que eu comecei a trabalhar essa semana e isso causou-me certos transtornos como ficar sem escrever para o blog e não ter mais o tempo que eu tinha para ficar navegando pela net. Mas cá estou eu novamente para falar com vocês. Como eu disse que haveria uma coluna aqui estarei mandando-a agora. Porém, com uma novidade: a mudança no nome. Encurta as Curtas é um nome babaca demais para estes propósitos, tanto que batizo agora para Semanal. Nada muito original, confesso, mas uma coisa mais sóbria e centrada, algo parecido mais com a minha pessoa e com o meu objetivo para este projeto.
Divirtam-se e até a próxima!
Semanal
Segunda Divisão Termina em Confusão
Mais uma vez uma final da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro termina em confusão. Ano passado torcedores do Figueirense invadiram o campo antes do fim do jogo contra o Caxias do Sul para comemorar a vitória do time da Figueira. Esse fato quase levou a eliminação do time da casa da Primeira Divisão, gerando brigas na justiça com os gaúchos de Caxias. Agora o cenário foi a cidade de Criciúma, também em Santa catarina. O time da cidade local sagrou-se campeão após vencer o Fortaleza pelo placar de 4x1. O primeiro jogo foi no Ceará, com vitória do time da casa por 2x0. Mas, como o Criciúma foi o time de melhor campanha na primeira fase, teve o privilégio de jogar a segunda partida em casa e de lutar por dois resultados iguais, fazendo prevalecer esses benefícios ao aplicar uma goleada no time cearense. Porém, ao final do jogo cinco jogadores foram expulsos (sendo três do Fortaleza e dois do Criciúma), após briga generalizada dentro de campo, que deixou o técnico Luiz Carlos Cruz do Fortaleza sangrando na testa. A pancadaria só foi controlada com a entrada da polícia no gramado. Mais uma história triste do nosso futebol que anda deixando a arte de lado para praticar a violência.
Enquanto isso na Floresta Amazônica... o Óbvio!!!
O IBAMA aprendeu a maior quantidade de mogno da história. A madeira foi localizada essa semana no meio da floresta amazônica e tem seu valor estimado em 6 milhões de reais, podendo chegar a 300 milhões. Esta madeira é a mais cara no mundo, por existir em pouquíssimos países no mundo - sendo que, em maior profusão no Brasil - e ter grande número de consumidores pelo mundo, principalmente Inglaterra e Estados Unidos. Esse contrabando já virou lugar comum nas agências de noticias pelo mundo, mas pouco se faz para prevenir esse desmatamento e contrabando da floresta amazônica, que só tem a prejudicar as gerações mundiais futuras. Um problema tão grave como esse é o que se faz com a madeira que é recuperada. Ela não pode ser mais leiloada – o Congresso derrubou a MP que permitia o leilão –, deixando a mesma apodrecer em lugares que proporcionam um custo de R$ 2 milhões, gerando somente prejuízos ao governo brasileiro. Não pode mais haver esse assassinato à nossa floresta, em benefício de empresas estrangeiras, precisaria haver fortes políticas para combater essas ações das madeireiras que invadem locais protegidos para cortar a árvore mais valiosa do planeta.
Tempestade e Enchente em São Paulo
E mais uma vez a chuva parou São Paulo hoje. E olha que desta vez foi em um sábado. Vinte minutos de chuva torrencial no final da tarde deixaram São Paulo totalmente ilhada, com inúmeros pontos de alagamento, causando vários transtornos a quem se aventurou pelas ruas paulistanas. O Viaduto Guadalajara no Belém, bem como a região do Aricanduva sofreram maiores estragos por conta do alagamento. Após o início da noite uma tempestade de vento e água caiu sobre boa parte da capital paulista, provocando mais revolta na população, que não agüenta mais ouvir em toda eleição promessas para o fim das enchentes em São Paulo. O mais curioso é que na região mais afetada (Aricanduva) está sendo construído um enorme “piscinão”, justamente com o objetivo de cessar as inundações na Zona Leste.
FHC e suas contradições
Enquanto o PT tenta esconder o nome dos seus “ministeriáveis” e do futuro presidente do BC, Fernando Henrique resolve prosseguir com sua metralhadora giratória. Agora resolveu criticar o FMI. O presidente disse essa semana que a instituição opera da mesma forma que em 1946, quando de seu início, o que seria uma coisa muito errada. Ora, para quem se serviu e serviu essa instituição financeira durante oito anos de governo, FHC está sendo muito ingrato com quem o ajudou no Brasil e transformou o mundo, como aqui, em uma pasteurização econômica hegemômica. Fernando Henrique tenta sair “por cima”, e por isso toma atitudes que não condizem com seus dois mandatos à Presidência da República. Ainda critica o PT por não ter anunciado sua equipe de governo, pressionando para provocar uma maior tensão nas bolsas de valores nacionais, fazendo uma cortina enganosa ao ressaltar que a transição no país é democrática e pacífica. É um contra-senso inexplicável as últimas atitudes desesperadoras por parte do presidente fracassado do PSDB.
segunda-feira, dezembro 02, 2002
Artigo - Parte I
O NEOLIBERALISMO NO MUNDO
O Neoliberalismo tentou durante todo o século XX impor seus conceitos, mas teve nos Estados de “bem estar” social um
inimigo forte e duradouro
O século XX foi marcado por mudanças profundas e decisivas no plano econômico. Após um período de ascensão e fracasso do capitalismo antigo, durante a década de 70 ocorreu o avanço de um novo tipo de capitalismo. Essa “novidade”, que não é tão nova assim, tinha em seus planos uma economia globalizada, fundamentada em uma política neoliberal, e que no final do século chegou ao Brasil, logo após o fim da ditadura, com a redemocratização do país. Porém, quem implantou mais avassaladoramente essa política foi o atual presidente Fernando Henrique Cardoso, sustentado por algumas colunas como o controle da inflação e a estabilidade econômica, que levou as atuais conseqüências nos dias de hoje, na qual analisaremos no decorrer do texto. Mas inicialmente, discorreremos sobre o caminho percorrido pelo neoliberalismo no mundo todo, até chegar na América Latina, mais especificamente no Brasil.
O mundo atravessava momentos de reestruturação após a Segunda Guerra Mundial, principalmente na Europa. E lá, mais precisamente na Suíça, surge um movimento liderado por Fredrich Von Hayek, que defendia uma nova forma de governo, criticando veementemente as limitações dos mecanismos de mercado por parte do Estado. O movimento é conhecido como neoliberalismo e possui em O Caminho da Servidão (1944), escrito por Hayek, a base fundamental do pensamento neoliberal.
Hayek: o precursor do neoliberalismo
O problema é que o neoliberalismo não criou eco nas principais nações do mundo. Isso porque na Europa começou a ser aplicado políticas de bem estar social, arquitetadas pelo economista Jonh Keynes, que viria a ser base teórica para a implantação da política do New Deal norte-americano. Enquanto as reuniões com os insatisfeitos neoliberais aconteciam freqüentemente em Mont Pèlerin (Suíça), e seus adeptos lutavam e acreditavam cada vez mais neste modelo, este conceito acabou caindo em um período de ostracismo. Foi um período de sucesso dos chamados governos social-democratas, que proporcionaram grande enriquecimento e melhoria significativa na qualidade de vida da população.
Essa época ficou conhecida como a Idade do Ouro, pois esses países obtiveram bom crescimento ao adequar medidas que beneficiavam o cidadão, sem deixar de lado o capital e o intuito final que sempre foi o lucro. Isso não quer dizer que essas políticas keynesianas eram “a fada madrinha” da classe trabalhadora. Elas apenas amenizavam as desigualdades e traziam bons benefícios, porém, sem levar contentamento a todas as classes sociais, principalmente a uma parte da classe mais rica. Mas enquanto os países cresciam e os investimentos e retornos se multiplicavam, essas práticas de “bem estar” puderam ser mantidas. Esse modelo teve um longo e bom período de duração, mas que acabou, como todos os outros, em uma grave crise econômica.
O fim do chamado welfare state (estado de bem estar) ocorreu por volta de 1972-73 por conta da crise do petróleo, que levou a primeira grande tormenta do modelo capitalista pós-guerra. Essa derrocada se deu por conta da combinação de baixas taxas de crescimento com o aumento da inflação, colocando os países em uma grande recessão. Esse deslize era o que os neoliberais precisavam para trazer a tona novamente o pensamento de uma política mercadológica mais “livre”, sem a intervenção do lobo mau, na visão deles: o Estado.
Mas o fator decisivo que desencadeou o neoliberalismo no mundo foi a vitória na Europa e na América do Norte de governos de coalizão direita-conservadora, com base teórica totalmente voltada a “liberdade” pregada por Hayek. Esse quadro teve início com a eleição de Margaret Thatcher ao governo britânico, sendo implantadas de forma mais avassaladora as propostas neoliberais. Isso aconteceu com a privatização de todas as empresas de serviços públicos, a desregulação dos mercados, bem como com a quase ditatorial briga com os sindicatos, tirando quase todos os benefícios adquiridos por lei pelos trabalhadores, e que, na visão dos adeptos a teoria, entrava o crescimento do país, pois o dinheiro usado para benefícios deixa de ser aplicado no mercado, imobilizando a economia local. Estados Unidos em 1980, foram importantes para o início da consolidação do modelo neoliberal nas principais potências do mundo. Não só a eleição de Thatcher foi importante, como a derrota da social liberal por Helmut Khol na Alemanha, em 1982 e de Ronald Reagan à presidência dos Estados Unidos em 1980, foram importantes para o início da consolidação do modelo neoliberal nas principais potências do mundo.
Tatcher: vitória decisiva para a virada neoliberal
A entrada deste modelo de governo na América Latina se deu a partir de 1973, mais precisamente no regime militar chileno, governado por Pinochet. O Chile foi utilizado como uma espécie de laboratório para a implantação dessa corrente. Mas foi em meados dos anos 80 que esse fenômeno se generalizou no continente. Segundo José Luis Fiori em Moedeiros Falsos tudo ocorreu em silêncio, em meio a renegociação das dívidas externas sul-americanas, hora em que a comunidade financeira internacional apresentou aos devedores as suas novas condições: um conjunto de políticas e reformas que repetiam o que foi proposto por Hayek, na década de 40.O mais interessante de perceber isso tudo, é que essa alteração na América do Sul não se deu por imposição, nem por conspiração. De acordo ainda com Fiori, essa “metamorfose” nas políticas econômicas ocorreu por uma verdadeira revolução cultural entre os acadêmicos e intelectuais hemisfério sul. O aspecto original dos sul-americanos foi que o ataque ao modelo desenvolvimentista pelos sul americanos foi conduzido pelas mesmas forças que o sustentaram autoritariamente e que dele se beneficiaram durante meio século. Isso quer dizer que os mesmos que voltaram-se contra o modelo político atual, são os mesmos que foram a favor dele durante décadas passadas.
(Segunda parte do texto será exibida na semana que vem)
Mini Biografia do Autor de Moedeiros Falsos
José Luís Fiori é um dos mais brilhantes economistas da nova geração brasileira. Exilado no Chile aos 19 anos, lá estudou economia e sociologia. Formou-se Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e hoje é Professor Titular em Economia Política Internacional nas Universidades Federal e Estadual do Rio de Janeiro (URFJ e UERJ).
Alguns livros publicados por Fiori:
Os Moedeiros Falsos (Editora Vozes)
Polarização Mundial e Crescimento (Editora Vozes)
Em busca do Dissenso Perdido (INSight Editorial)
O Vôo da Coruja: Uma leitura não liberal da crise do estado
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