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domingo, setembro 28, 2003

São Paulo reencontra a vitória, sobe na tabela e piora a vida do Grêmio no Brasileirão

O São Paulo venceu o Grêmio pelo placar de três a um no Morumbi, na tarde do último sábado, piorando ainda mais a situação do time gaúcho que está na última posição com 25 pontos. Já o São Paulo pulou temporariamente para a terceira colocação, com 58 pontos, dois a mais que o Coritiba, que joga hoje contra o Paysandu, na capital paranaense.

Porém, o tricolor paulista encostou no Santos que perdeu para o Internacional na cidade de Porto Alegre por um tento a zero. O peixe mantém seus 59 pontos na tabela enquanto o colorado sobe para 53 pontos ganhos. Os gols são-paulinos no Morumbi foram assinalados por Fábio Simplício, Kléber e Jean, enquanto Anderson Lima descontou de pênalti. Já no estádio do Beira Rio, o único gol do jogo foi marcado pelo garoto Diego, do time gaúcho. Em outro jogo realizado no sábado, o Flamengo ganhou por dois a um do Atlético Paranaense no estádio do Maracanã.

Análise da Partida

A partida no Morumbi foi de doer. Com muitas faltas e pouca qualidade técnica, o São Paulo tomou um verdadeiro sufoco no primeiro tempo. Tinga e Cláudio Pitbull perderam gols seguidos na frente da meta de Rogério Ceni, que interviu nos momentos decisivos. Mesmo com o esquema defensivo armado por Rojas, com Alexandre, Fábio Simplício e Carlos Alberto tendo a incumbência de marcar no meio de campo, o ataque do Grêmio penetrava com muita facilidade pelo meio, deixando a frágil zaga são-paulina exposta durante toda a etapa inicial.

Ao mesmo tempo lá na frente, sem um meia de armação e contando apenas com o jovem Marco Antônio, muito questionado pela torcida, a bola não chegou para o atacante Luís Fabiano, enquanto Kléber, em uma tarde infeliz, pouco produziu para a equipe. Aliás, o artilheiro do campeonato brasileiro jogou no sacrifício por ainda sentir dores na coxa, assim como o lateral esquerdo Fabiano, que também não se recuperou de uma torção no tornozelo no confronto do último domingo, contra o Atlético Mineiro.

Após o intervalo, com a substituição de Marco Antônio pelo atacante Rico, o São Paulo voltou com mais vontade de atacar, porém, prosseguindo com os mesmos problemas no meio. Já no início do segundo tempo, Tinga novamente perdeu outra oportunidade, dando susto na torcida presente ao Morumbi. Mesmo com o problema crônico na marcação e na arrumação para o ataque, o São Paulo conseguiu chegar ao gol. Aos 15 minutos, após cobrança de lateral na ponta esquerda, Rico driblou um adversário e tocou para Simplício, que livre de marcação acertou um chutaço do bico da grande área, abrindo o placar para os paulistas.

Aos 20 minutos o São Paulo ganhou um presente: Baloy saiu mal e tocou a bola nos pés do Simplício, que dentro da área gremista fintou o goleiro Danrley e cruzou para o meio da área, onde estava Kléber livre para conferir o segundo gol. Após isso o tricolor paulista relaxou e a partida voltou ao seu marasmo. Até os 35 minutos, quando Lugano derrubou Christian dentro da área. O lateral direito Anderson Lima cobrou a penbalidade com categoria, diminuindo a vantagem são-paulina. Isto já serviu para a torcida se arrepiar na lembrança dos últimos jogos em que o time perdeu no final a chance de conquistar as vitórias, deixando-o distante da briga pelo título.

Mesmo com alguns sustos proporcionados pelo ataque gremista, o São Paulo se segurou até o final, encontrando inclusive uma brecha aos 44 minutos para seu terceiro gol da tarde: após cruzamento perfeito do lateral direito Gabriel, Jean subiu mais alto que a zaga gaúcha e decretou o triunfo paulista, enterrando ainda mais o Grêmio na condição de pior equipe deste Campeonato Brasileiro. Nos descontos ainda deu tempo para mais um destempero do escrete são-paulino no campeonato: Kléber, que já tinha cartão amarelo, empurrou seu adversário em jogada morta na intermediária e foi expulso, ficando fora da rodada seguinte.

Esta, inclusive, será de grande importância, pois marca o encontro entre São Paulo e Santos no próximo sábado, que pode tirar definitivamente um dos dois clubes da disputa pelo troféu nacional de 2003.
posted by Unknown / 9/28/2003 02:00:00 PM

sexta-feira, setembro 19, 2003

Chile, Socialismo e Ditadura

Trinta anos do golpe militar no Chile relembram as atrocidades cometidas pela direita e os erros de direcionamento da esquerda chilena


No último dia 11 de setembro fez 30 anos do golpe militar mais sangrento de toda a América Latina. Numa manhã de terça-feira de 1973 em Santiago, capital chilena, militares liderados pelo General Augusto Pinochet tomaram de assalto o palácio presidencial La Moneda, assassinando o então presidente Salvador Allende.

Allende – com sua base aliada formada pela Unidade Popular de esquerda – foi o primeiro presidente marxista eleito dentro dos marcos institucionais burgueses, já em sua quarta tentativa de eleger-se. A votação ocorreu em 04 de setembro de 1970, sendo eleito pela maioria simples de 36% dos votos. Nas eleições anteriores, o ex-senador perdera por poucos votos e muitas pressões da burguesia chilena, bem como da CIA estadunidense.

Desde o início o presidente chileno demonstrou seus assustadores objetivos, de acordo com a visão burguesa, claro: nacionalização da exploração mineira, principalmente do cobre, produto principal do mercado chileno à época. Além disso a expropriação de setores bancários e manufatureiros de fez presente de forma muito consistente, assim como a ampla reforma agrária, realizada logo no início do governo.

O problema de tudo isto está justamente na ingenuidade de crer que, seguindo as vias democráticas, a burguesia e a direita chilenas iriam ficar caladas diante de perdas gigantescas sofridas para a esquerda proletária. A luta de classes detectada por Marx a mais de 150 anos se acentuou no Chile àquela época. E assim ocorreram os boicotes no abastecimento e as greves dos caminhoneiros, principal meio de transporte no Chile, por conta de suas dimensões geográficas. Nesse momento, já havia intervenção externa dos Estados Unidos, inicialmente com o envio de verbas para financiar a greve em questão.

Allende, com sua tática da legalidade adotada para implantar o socialismo no país era visto com muito pesar pelo imperialismo estadunidense. O Projeto Condor da CIA tratava de minar qualquer tipo de resistência às ditaduras impostas na América Latina durante aquele período, e a “ameaça” chilena era vista pela Casa Branca como uma “nova Cuba”.

Mesmo assim, nas eleições legislativas realizadas no primeiro semestre de 1973, a Unidade Popular teve sua base aumentada, principalmente por parte dos setores populares do campo e da cidade, fato que desencadeou sua própria ruína. Isso porque a partir dali, a direita burguesa desistira definitivamente das vias institucionais para derrubar o governo marxista e tentaria a partir daquele momento a última e mais vil opção: o golpe.

Apesar do apoio popular e dos militares de baixa patente, Salvador Allende estava cada vez mais isolado. Sem apoio do Congresso, da Justiça e recebendo duras investidas dos oficiais do alto escalão, o presidente não conseguia mais saída para permanecer no comando do Chile: o golpe era inevitável. O valor do cobre despencava no mercado externo, devido a estimulantes pressões do governo Nixon. Jogavam-se também bombas em oleodutos e redes de água e eletricidade, com o objetivo de levar o país ao caos.

A partir disso a investida foi arquitetada pelos militares chilenos, com grande participação brasileira, representada na figura de Antônio Cândido da Câmara Canto, embaixador brasileiro no Chile, conhecido inclusive como “o 5º membro da Junta Militar chilena”, após ter sido deflagrado o golpe. Essa ativa contribuição do governo ditador do Brasil se deu não só com na idealização do levante, mas também através de dinheiro, remédios, comida, além de treinamento de tortura na Bolívia e presença in loco de oficiais em Santiago para averiguar e até mesmo torturar presos políticos.

Na primeira tentativa, em 29 de junho de 1973, o general constitucionalista Carlos Prats defendeu Allende, derrubando os golpistas, mas sendo obrigado a renunciar o cargo de Chefe do Exército, devido a pressões internas dos próprios militares. Em seu lugar foi levado ao posto um general que, até aquele momento, não tinha posição de destaque nas Forças Armadas, nem parecia estar do lado dos idealizadores do golpe, e por isso foi erguido ao cargo. Tratava-se do general Augusto Pinochet, que duas semanas depois comandaria a implantação da ditadura militar e a morte do presidente Salvador Allende.

Na manhã de 11 de setembro de 1973 as rádios e televisões foram tomadas. Tanques e aviões aplastaram terror nas ruas de Santiago, enquando Allende emitia seu último e emocionado pronunciamento como presidente do Chile: “Não renunciarei. Pagarei com a minha vida a lealdade do povo. O povo deve estar alerta e vigilante, deve defender os direitos de construir com seus esforços uma vida digna e melhor”. Em seguida o palácio La Moneda foi atacado e Allende morto. Estava decretada assim o início de uma das ditaduras mais atrozes de toda a história da América Latina.

Com aporte financeiro internacional, Pinochet permaneceu à frente do governo chileno durante dezessete anos, com um saldo invejável de sucesso terrorista: mais de 3 mil mortos e outros tantos desaparecidos. Ali instalou-se a primeira experiência neoliberal da história, uma espécie de laboratório para o que viria a seguir na Europa, Oceania e América Latina, consolidando o sistema econômico neoliberal pelo mundo.

Para isso, o general ditador também tomou medidas agressivas, ao abrir o mercado externo, devolvendo as empresas às grandes multinacionais e pagando-lhes polpudas compensações, devido as expropriações realizadas pela “ameaça vermelha”. Outra ação bastante eficaz do ponto de vista burguês foi a opressão e demonste das insitutições sindicais, em que a base do operariado, grande parte dele comunista, se mantinha.

O que fica de conclusão a todo o processo democrático que o Chile passou durante quarenta anos sem intervenção militar e com uma tentativa sabotada de implementação do socialismo está no desejo quase inocente de utilizar-se das instituições burguesas capitalistas para modificar o sistema político e por conseguinte, alterar o status quo vigente.

Crer nessas vias institucionais já indica a própria derrota, como ocorreu com a Unidade Popular. “O golpe significa que o capitalismo na democracia liberal não permite uma opção em relação aos sistemas sociais”, atesta Emir Sader. Somente a ruptura pode derrubar essa falsa democracia em que ao menor sinal de mudança o imperialismo ressurge como o paladino da liberdade para massacrar pessoas e restringir os direitos dos cidadãos.



posted by Unknown / 9/19/2003 04:20:00 PM

quarta-feira, setembro 03, 2003

O Relato de Uma Guerra Sem Fim

Livro reúne reportagens documentando na História os sangrentos conflitos pela terra na região do Araguaia-Tocantins


O povo de um lado, fazendeiros do outro. Armas em punho, bandeiras erguidas, desejos e sonhos misturam-se entre corações e mentes. A eterna disputa por um pedaço de chão, em qual época for, será sempre a marca mais profunda de um Brasil desigual . É justamente o que retrata o livro O Massacre dos Posseiros (Editora Brasiliense), uma compilação de reportagens realizadas pelo jornalista Ricardo Kotscho para a Folha de São Paulo no inícioda década de 80, cobrindo os conflitos entre posseiros, latinfundiários e pistoleiros pelas terras da região do Araguaia-Tocantins naquele período.

O relato preciso de Kotscho mostra ao leitor o descaso e o desmando naquelas terras onde grande parte delas ainda ficava no estado de Goiás. Posseiros vindos para aquelas bandas muito antes de qualquer cidadão firmar os pés na mata densa, tiveram suas plantações, casas e vidas literalmente destruídas pela ganância dos fazendeiros que viam naquelas terras o futuro de um lucro melhor.

Apoiados por órgãos corruptos da ditadura, advogados, juízes e funcionários do governo favoreciam empresas multinacionais e proprietários ricos. Eram forjados mandados de busca para invadir as propriedades de pessoas humildes, que eram obrigadas a assinar um contrato onde praticamente entregavam sem ônus algum seu terreno para os invasores.

Hoje em dia a coisa inverteu-se. Os chamados ruralistas lutam contra o Movimento dos Sem-Terra (MST), clamando pelo dogma capitalista da propriedade privada, protegendo seus domínios como se fosse em uma guerra. Já os sem-terra –também preparados para o pior – prosseguem aguardando os programas de Reforma Agrária que não se efetivam no contingente necessário há décadas. Enquanto isso eles tentam encontrar alternativas de sobrevivência, chamando a atenção da sociedade para esse grave problema da acumulação de terras, improdutivas ou não.

Quanto ao resto, as semelhanças dos períodos são gritantes. Os assassinatos de posseiros por pistoleiros contratados para “fazer o serviço”, se equipara aos capatazes que vigiam as fazendas “ameaçadas por invasão”. A injustiça de ontem permanece, como no caso do assassinato do advogado Gabriel Sales Pimenta, em julho de 1982, na cidade de Marabá, no sul do Pará. Foi decretada somente no mês de agosto deste ano a prisão preventiva do mandante, o fazendeiro Manoel Cardoso Neto, o Nelito, que está foragido desde o ocorrido. Esse contraponto, posseiros X fazendeiros, mostra-se muito semelhante ao confronto ruralistas X sem-terra dos últimos anos, latente nos noticiários diários.

Por isso mesmo é de grande valia a leitura deste livro-reportagem, um resgate da história pouco abordada da devastação contra os posseiros e as florestas da região, em busca da acumulação de riquezas. A luta pela terra ainda prossegue ferozmente e com os mesmos objetivos. Só mudaram os lados de quem a possui.
posted by Unknown / 9/03/2003 09:07:00 AM

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