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domingo, abril 10, 2005

Perdido Numa Noite Sem Fim

* Inspirated in Born On a Different Cloud, from Oasis

Perdido numa noite sem fim
Ouvindo uma música triste, pensando em filmes românticos
Nada disso é mais surpresa para mim
Eu só gostaria de um dia poder ser livre.

Mais uma vez ela volta em pensamentos
Será que existe essa heroína de meus sonhos?
Ou são apenas desejos inúteis levados a sério?
Já não basta a frustração solitária do dia a dia?
O sol já não brilha mais como ontem.

E mais uma vez me vejo perdido numa noite sem fim
Às vezes chego a duvidar se isso tudo é verdade
Ou se são apenas vozes falando absurdos
Será que a realidade já não é absurda o bastante?

Perdido numa noite sem fim
Sozinho e ouvindo uma canção triste
Não é surpresa para ninguém
Que estou só e não fico feliz por isso.

Agora a noite se encerra e o sol ameaça sair
Mais uma madrugada que passa num tempo exíguo
Ocupado por tantas coisas para não fazer
Nada nunca começou como antes
Pelo menos não desta vez.

Agora tudo acabou em mais uma noite insone
E rezar não vai resolver a dúvida de Sua existência
Nada vai mudar com mais este dia
Eu sou só mais um, perdido numa noite sem fim.

5:30 - 5:40 p.m. April 10, 2005.

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Essa “poesia” foi escrita durante a canção citada acima. O mais engraçado é que ela saiu naturalmente, como tem sido todas as composições dos últimos tempos. Parece que eu necessitava dizer isso, que são as maiores preocupações de minha vida atualmente e sei lá já não faz tempo que estão comigo e, quem sabe, não irão me acompanhar pela eternidade: falta de uma namorada, cansaço de viver a mesma vida e as dúvidas em relação a Deus e ao mundo em que vivemos. Mas o interessante mesmo é que ela saiu junto com a música. Ouvi duas vezes a canção e a letra já ficou pronta. A cada frase cantada pelo Liam Gallagher (que compôs a música) eu pinçava alguma frase ou contexto de abordagem dele e escrevia a minha história que você acabou de ler. É que Born... diz muito para mim, ela se revela, em toda a sua melancolia, sentimentos muito fortes. Deve ser seu teclado triste, sua guitarra pegada, ou mesmo sua imensa dose de psicodelia que traz uma sensação agradável, mas, ao mesmo tempo, angustiante, que, com o sugestivo tema, nos transporta para uma outra dimensão, outras cores, mais cinzas e azuis, mas também cheias de vida e esperança, que é o que nos resta na luta deste cotidiano cada vez mais sem sentido. Talvez porque falte amor, talvez porque sobre terror, mas os dias tem ficado cada dia mais iguais: vazios. Por isso que “O sol já não brilha mais como antes”, o meu pensamento de mundo mudou, mas meu buraco no coração permanece não preenchido e dimensiona a ausência de sentido à vida a grandiosidades, porque tem momentos que parece que é isso que não faz sentido. Por que, de resto, nada mais faz: acordar cedo, enfrentar metrô lotado para trabalhar, agüentar falsidade e competitividade mesquinha capitalista, pregação fraternal, ação monstruosa, voltar para casa e não ter com quem conversar e viver essa rotina todos os dias, na mesma casa, no mesmo quarto, as mesmas coisas de sempre. Ver tanta miséria, tanta guerra, tanta morte, tanta mentira, tanta injustiça, tanta coisa errada, pessoas se aproveitando umas das outras. Como é possível acreditar em Deus diante de tudo isso? Não, não, eu não agüento mais isso. Parece que tudo cai mais pesado aqui, talvez porque eu vejo as coisas acontecerem, sem pretensão de ser nada, mas eu observo, assim como vejo outros amigos na mesma situação, porque eles vivem, mas também observam a vida que vivem e não apenas apertam o “botão do foda-se” e se esquecem do mundo, das pessoas, do próximo. Eles também se preocupam e talvez por isso cada vez mais eu vejo algumas pessoas tristes, frustradas, porque não agüentam carregar esse peso de ver como sua vida é uma merda e como o mundo não parece ligar para suas atrocidades. O papa morreu e todo mundo se preocupou, encheu Roma. Mas porque ninguém faz isso quando morre uma criança de fome na África? Porque as pessoas não se mobilizam para evitar que chefes de estado controlem seu dinheiro, futuro, vida? Porque não se mobilizam contra a guerra pseudo-religiosa? Porque as pessoas vivem nesse cotidiano letárgico e finge acreditarem que são felizes? Porque o ser humano suporta tanta privação e ainda quer crer na esperança? Afinal, você só tem esperança se você faz algo por aquilo, se não sua esperança, fé, o que for, é vazia, hipócrita. Essa é minha opinião. O mundo anda tão complicado, as pessoas andam tão ferozes e ambiciosas, desligadas de tudo, que não se importam mais em sofrerem e serem oprimidas o tempo todo. Seus dias já são de sobrevivência e é isso o que vale, porque estão com a visão na coisa errada, na sua sobrevivência. O dia em que começarem a olhar para o lado vão reparar na merda que estão fazendo e, quem sabe, possam lutar contra tudo o que estão construindo hoje. Isso virou um desabafo que há muito tempo eu queria fazer.
posted by Unknown / 4/10/2005 06:05:00 AM

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